Buscar
Acervo RR
A francesa CMA CGM, um dos maiores grupos de navegação e operação portuária do mundo, vai anunciar nas próximas semanas um investimento de alto calado no Brasil. Segundo informações filtradas junto a própria empresa, o diretor- geral da subsidiária no país, Marc Bourdon, recebeu sinal verde da matriz para investir aproximadamente US$ 300 milhões. A CMA CGM vai construir um novo terminal portuário no Nordeste ? o local deverá ser escolhido até julho. Paralelamente, comprará dois porta-contêineres, que serão usados na ligação entre os portos de Suape, em Pernambuco, e de Salvador com o Caribe e a asia. Estas são as rotas da companhia com maiores taxas de crescimento em todo o mundo. No ano passado, o volume de cargas subiu quase 30%, bem acima da média das operações de transporte do grupo na Europa e no continente asiático. O Brasil é visto hoje pelos franceses como um porto seguro dentro do processo de reestruturação da CMA CGM, em curso há três anos. A empresa navegou em mares de sargaço por conta da crise mundial de 2008. Teve sucessivos prejuízos, correu risco de falência e precisou ser socorrida pelo governo francês, que fez uma injeção de capital da ordem de US$ 500 milhões. O principal desafio da CMA CGM neste momento é recuperar suas margens operacionais, que sofreram um forte processo de erosão nos últimos três anos. A meta é voltar ao patamar pré-crise, na faixa entre 15% e 20%. Nesta corrida em busca de maior rentabilidade, o Brasil tornouse peça fundamental do ponto de vista geoeconômico. Nenhuma outra operação tem sido tão lucrativa para a companhia quanto a rota entre a costa leste da América do Sul e o Caribe e a asia. Os franceses calculam que, em até três anos, estas ligações serão responsáveis por mais de 25% do faturamento global do grupo. A construção do novo terminal no Nordeste deverá ser feita em parceria com o grupo turco Yildirim, sócio dos franceses. A CMA CGM será majoritária. As portas estão abertas para outros sócios. O projeto prioritário dos franceses é atrair para o negócio uma empreiteira brasileira. Houve conversas recentes com a OAS, que tem planos de investir em concessões portuárias.
Todos os direitos reservados 1966-2026.