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Acervo RR
Mais conhecida no Brasil pela sua atuação na área de transmissão de energia, a Abengoa está dobrando sua aposta no setor sucroalcooleiro. Mais de três anos após comprar da Dedini Agro as usinas São Luiz, em Pirassununga, e São João, em São João da Vista, ambas em São Paulo, o grupo espanhol saiu em busca de novos ativos neste mercado. Leva na cartucheira cerca de US$ 200 milhões para aquisições, o equivalente a quase 50% do plano de investimentos internacional da empresa. O número 1 na lista de compras da Abengoa é a Usina Da Mata, pertencente aos empresários Alexandre Grendene e Jonas Barcelos, ex-Brasif. Os espanhóis já teriam mantido conversações com Grendene, que responde pela gestão da usina. Inicialmente, os atuais controladores manteriam uma participação minoritária, em torno de 30%. A Abengoa asseguraria uma opção de compra desta fatia no período de até três anos. Ao longo deste período, Grendene e Barcelos seriam favorecidos pelos investimentos com que os espanhóis acenam para a expansão da Da Mata. O grupo está disposto a aportar cerca de R$ 100 milhões para o aumento da capacidade de moagem. A própria Da Mata já tem um projeto para a instalação uma nova usina com capacidade para a moagem de três milhões de toneladas de cana. Um dos principais ativos da Da Mata são as terras próprias em Valparaíso, no Noroeste de São Paulo. A empresa tem mais de 35 mil hectares de área cultivável. Além disso, a região é valorizada por seu alto índice de produtividade. No passado, a Da Mata já foi alvo do assédio de outros grupos internacionais, como a norte-americana ADM, que fez uma frustrada investida sobre a empresa em parceria com o exministro da Agricultura Antonio Cabrera. Outro candidato recente teria sido a indiana Shree Renuka. Embora os espanhóis neguem que estejam puxando o freio no setor de transmissão de energia no Brasil, os fatos mostram o contrário. Recentemente, a Abengoa vendeu duas linhas transmissoras, uma em Minas Gerais e outra em Goiás, para a chinesa State Grid por aproximadamente 90 milhões de euros. Não obstante ainda ter participações em nove concessões no setor, o grupo não demonstrou o mesmo apetite de antes nos recentes leilões da Aneel. Em contrapartida, nos últimos anos, ampliou consideravelmente seus aportes na área de etanol. E promete reforçar o dote. Além da Da Mata, a Abengoa está em negociações com mais três usinas de menor porte também do interior de São Paulo.
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