Brasil é uma linha cruzada na operação da Ericsson - Relatório Reservado

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Brasil é uma linha cruzada na operação da Ericsson

  • 13/05/2011
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O Brasil transformou-se em motivo de apreensão para a Ericsson. São cada vez mais constantes as discussões entre a matriz e a direção da subsidiária com relação ao futuro da empresa no país. Há um consenso de que a companhia tornou-se refém de um modelo defasado, que dificilmente será capaz de superar o crescimento da concorrência no médio e longo prazos. Grande parte das operações da Ericsson no Brasil é fortemente dependente do fornecimento de equipamentos, apesar de todos os esforços da empresa em ampliar a oferta de serviços. O aumento de 12% na receita no ano passado é número de ilusionismo, que pode enganar incautos, mas não aos próprios suecos. Parte deste resultado ainda representa o carry over de contratos fechados no passado. As condições atuais de mercado não são favoráveis a uma empresa de telecomunicações extremamente vinculada a  venda de equipamentos. Na parte de comutação, que, por muitos anos, fez a alegria e os bons resultados da Ericsson no Brasil, o cenário mudou. Grandes e caras centrais especiais têm sido substituídas por roteadores de IP com software especial conhecido como ?softswitch?, muito mais baratos. Neste contexto, a empresa tem enfrentado a concorrência cada vez mais agressiva de fabricantes asiáticos, que comercializam produtos a preços até 50% mais baixos. Outro adversário de peso neste segmento tem sido a Cisco. Por conta da maior competição, as margens para a montagem de redes de comutação caiu significativamente nos últimos anos. Em alguns casos, a Ericsson tem operado na raspa do tacho. Recentemente, a empresa teve de renegociar um de seus maiores contratos com uma grande operadora de telefonia móvel brasileira e aceitar uma rentabilidade ínfima para não perder o cliente. Não por acaso, a Ericsson Brasil teria fechado os dois últimos anos no vermelho. Os tempos mudaram. Em 2007, a subsidiária chegou a ter um lucro de mais de R$ 380 milhões. O Brasil é um elementochave para a operação da empresa na América Latina, que tem passado por alguns sobressaltos. As vendas na região caíram 11% em 2010. Os suecos, no entanto, sabem melhor do que ninguém que não estão lidando apenas com um desafio localizado. O Brasil é parte fundamental de um problema ainda maior: a própria operação global da Ericsson. O mercado mundial de fabricantes de equipamentos de telecomunicações caminha para um inexorável processo de consolidação. Segundo informações filtradas junto a  própria empresa, nos corredores da subsidiária brasileira chegam notícias provenientes da Europa de que o board do grupo considera como uma hipótese cada vez mais plausível a associação com outra empresa, especialmente europeia. Um dos nomes mais cotados é o da NokiaSiemens Networks, já fruto de uma fusão entre dois gigantes do setor. Seria uma forma de criar um bloco capaz de concorrer com os fabricantes asiáticos.

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