Embraer e Mitsubishi se unem contra subsídios da Sukhoi - Relatório Reservado

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Embraer e Mitsubishi se unem contra subsídios da Sukhoi

  • 20/04/2011
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O intrincado jogo diplomático e comercial na indústria aeronáutica internacional está prestes a sofrer um looping. Uma das principais adversárias da Embraer na Organização Mundial do Comércio (OMC), a Mitsubishi poderá se transformar em importante aliada da empresa de São José dos Campos no tribunal da entidade. As duas companhias estão se unindo contra um inimigo comum: a russa Sukhoi. A dupla vai pressionar a empresa russa a aceitar o novo acordo para a concessão de subsídios a  exportação de aeronaves elaborado no âmbito da Organização de Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). O documento foi assinado recentemente por Japão, Brasil, Estados Unidos, Canadá e União Europeia. A Rússia ficou fora, criando um risco potencial para a Embraer e outras fabricantes de aeronaves de médio porte. A partir de 2012, a Sukhoi vai entrar pesado no segmento de jatos de 70 a 90 passageiros. Mais do que isso: uma vez fora do acordo fechado na OCDE, certamente contará com fartos subsídios do governo russo, gerando uma concorrência desleal no mercado. O jogo mudou e com ele mudou o posicionamento da Embraer. No entendimento da companhia, a Mitsubishi deixou de ser o maior problema concorrencial no tabuleiro do mercado mundial. Os subsídios do governo japonês a  empresa têm tudo para se tornar fichinha perto do que a Sukhoi deverá receber do governo russo para financiar a produção e a exportação da sua nova família de jatos. Ressalte-se ainda que a aproximação entre Embraer e Mitsubishi foi facilitada pela própria postura do governo japonês. Ao assinar o acordo da OCDE, as autoridades nipônicas deverão abrir o pacote de ajuda a  Mitsubishi e reduzir parte do acordo para cumprir o tratado internacional. Caso os russos não embarquem na pressão internacional para a adesão ao acordo com a OCDE, tudo indica que o imbróglio vá parar na OMC. Dentro da Embraer, se espera um contencioso similar ou até mais intenso do que o processo que a companhia moveu contra a Bombardier. A empresa de São José dos Campos e demais fabricantes têm motivos de sobra para se preocupar com a investida da Sukhoi. Já no primeiro ano de produção, a expectativa é de que a companhia tenha capacidade para atender a mais de 15% da demanda europeia e asiática por aeronaves de 70 a 90 lugares. Os russos deverão investir mais de US$ 1 bilhão no desenvolvimento dos novos aviões. As primeiras unidades estarão prontas para comercialização já neste ano. A Sukhoi já iniciou negociações com empresas aéreas da asia, o que só coloca mais combustível na disposição da Mitsubishi e da Embraer de mover uma ação contra os russos na OMC. O Oriente é o quintal da fabricante japonesa e um dos mercados mais cobiçados pela empresa brasileira.

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