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Acervo RR
A Mexichem enxerga um Eldorado no Brasil. Para explorá-lo, os mexicanos, donos da Amanco, estão convictos de que precisam ir além dos tubos e conexões. O grupo prepara uma guinada, com o objetivo de se tornar um dos maiores conglomerados do país na área de materiais de construção. O plano estratégico da Mexichem é holístico. Prevê sua entrada na produção de cerâmicas, telhas e cimento, notadamente por meio da aquisição de fabricantes locais. No caso da indústria de cerâmicas, um dos nomes mais repetidos nas reuniões de diretoria da Mexichem é o de uma das líderes do setor: a catarinense Eliane, dona de seis fábricas e de um faturamento anual na casa dos R$ 600 milhões. Na área de cimento, um dos alvos seria a CP Cimento, da família Koranyi Ribeiro, que há anos procura um comprador para a empresa. Em relação ao mercado de telhas, a busca por ativos será mais complicada. Fatia expressiva do mercado está concentrada nas mãos de Eternit e Brasilit. O restante do setor é ocupado, em sua maioria, por fabricantes de atuação regional. A Mexichem pretende investir mais de US$ 500 milhões no país nos próximos três anos. Para financiar a expansão, os mexicanos estudam a associação com fundos de investimento ou a abertura de capital da Mexichem Brasil, onde serão penduradas as novas operações. Com a reestruturação, a empresa deixaria de ser uma fabricante de tubos e conexões de PVC para se tornar uma empresa com um vasto portfólio de produtos de material de construção, o que lhe daria maior poder de barganha junto a distribuidores e lojistas. Guardadas as devidas proporções, trata-se de um movimento semelhante ao da Eternit, que anunciou sua intenção de entrar na produção de cerâmicas. O grupo passou recentemente por uma reestruturação administrativa e societária no Brasil, que já teria como objetivo arrumar a casa para as novas operações. Os mexicanos criaram a Mexichem Brasil, holding que passou a concentrar a gestão de todas as empresas no país, como a Amanco e a Plastubos, fabricantes de tubos de PVC, e a Bidim, indústria de revestimentos sintéticos. No ano passado, a Mexichem faturou cerca de R$ 1 bilhão no país. A meta é duplicar este valor nos próximos três anos com a entrada nos novos segmentos de atuação.
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