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Acervo RR
O Brasil está a s portas de um apagão no seguro agrícola. O motivo é uma dívida modesta, de apenas R$ 150 milhões, mas que ameaça provocar um efeito dominó no setor. O governo ainda não depositou na conta das seguradoras o valor referente a subvenção para a cobertura de risco da safra agrícola de 2010. As companhias de seguros, por sua vez, estão inadimplentes com as resseguradoras. Por conta disso, grandes grupos do setor, como Swiss Re, Munich Re e Scor S. E. estão se recusando a repetir a operação para a próxima safra. Mais do que isso: estão reavaliando sua operação no país no segmento agrícola. A situação se aproxima do seu ponto crítico. Neste mês, os produtores rurais costumam iniciar a contratação de seguros para o período de safra, que vai de setembro a janeiro. Algumas seguradoras ? entre elas a Allianz ? já sinalizaram aos agricultores que as apólices não serão renovadas caso a subvenção não seja paga em tempo hábil. O atraso no pagamento estaria diretamente ligado aos recentes ajustes orçamentários promovidos pelo governo. Curiosamente, o Orçamento da União reserva cerca de R$ 400 milhões para o crédito agrícola, mas estes recursos não podem ser destinados para a quitação dos valores em atraso. Ressalte-se ainda que não há qualquer confirmação de que este montante será integralmente liberado neste ano, por conta exatamente dos cortes de investimento. A bancada ruralista no Congresso ? a frente a senadora Katia Abreu, presidente da Confederação Nacional da Agricultura (CNA) ? já está se mobilizando na tentativa de que o governo quite o débito com as seguradoras. Quem também está batendo tambor em Brasília é a Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB). Normalmente, o Tesouro paga diretamente a s companhias de seguros de 30% a 70% do custo da apólice, a título de subvenção. Esta verba está vinculada ao Ministério da Agricultura, que é apenas um repassador dos recursos, sem ingerência sobre a sua liberação. O Brasil ainda engatinha no seguro agrícola. Para se ter uma ideia, apenas 10% da área plantada estão cobertos. Em alguns países, como a Espanha, este índice chega a 70%.
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