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Acervo RR
A folia passou a léguas de distância do carnaval do CEO da Unilever no Brasil, Kees Kruythoff. Em vez de repiques de bateria ou marchinhas, o que soou forte em seus ouvidos foram as cobranças da matriz, insatisfeita com o resultado da subsidiária brasileira. Os angloholandeses botaram na rua o bloco do descontentamento e da pressão sobre a gestão de Kruythoff. A matriz quer entender que matemática foi essa que fez com que a Unilever crescesse apenas 2,2% no ano passado, menos da metade da meta fixada. Isso, ressalte-se, em um ano de ?Pibão?, em que o consumo de alimentos e de supérfluos alcançou taxas de altíssima caloria. Para onde quer que olhe, Kruythoff só enxerga números que depõem contra a sua administração. Os resultados na divisão de higiene e limpeza também ficaram aquém das expectativas. E a carruagem segue na mesma toada. Os resultados da Unilever Brasil nos dois primeiros meses do ano cresceram em um ritmo inferior ao registrado no mesmo período em 2010. O descontentamento da matriz aumenta por conta da expectativa que havia em relação a 2010 e, principalmente, pelos resultados alcançados pela concorrência. Kraft Foods, Procter & Gamble e Hypermarcas cresceram, em média, 15% no ano passado. Procurada pelo RR – Negócios & Finanças, a companhia não se pronunciou a respeito. Kruythoff caminha sobre uma corda bamba sem direito a rede de segurança. O desempenho da Unilever nos próximos meses será decisivo para a continuação ou não da atual gestão. Informações filtradas de dentro da companhia indicam que o próprio CEO mundial, Paulo Polman, vem acompanhando o caso diretamente. A princípio, os investimentos previstos para o Brasil em 2011 estão mantidos e, em alguns casos, como na área de marketing, deverão até mesmo ser ampliados. Mas a matriz exigirá da subsidiária cortes de custos e um ritmo maior no lançamento de produtos. Vai cobrar também metas de desempenho mais agressivas. Com o senso de sobrevivência a flor da pele, Kruythoff não vai segurar esta bombarelógio sozinho. Deverá promover alterações na área comercial e de marketing. Estão previstas também mudanças no modelo de distribuição de produtos. A Unilever Brasil estuda criar uma espécie de representante comercial modelo, que servirá de balizador para a análise do desempenho dos demais distribuidores.
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