Conaprole cruza sua própria via láctea no Brasil - Relatório Reservado

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Conaprole cruza sua própria via láctea no Brasil

  • 3/03/2011
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No momento em que Brasil Foods, Monticiano, leia-se GP Investimentos, e Bom Gosto ganham corpo para a compra de indústrias de laticínios na América Latina, a uruguaia Conaprole faz o caminho inverso. Convicta de que a melhor defesa é o ataque, a companhia pretende se proteger da expansão de seus rivais brasileiros na mesma moeda, instalando-se no país. Executivos da empresa estiveram recentemente no Brasil para traçar o esboço do desembarque. A ideia inicial era a construção de uma fábrica no Rio Grande do Sul, até como forma de aproveitar sinergias logísticas com as instalações no Uruguai. No entanto, diante do iminente movimento de peças no tabuleiro da indústria sul-americana de laticínios, os uruguaios estão certos de que precisam criar massa crítica no Brasil por meio de aquisições. Há cerca de dois meses, a Conaprole sondou a situação da Leite Nilza, pouco antes, portanto, da 4ª Vara Cível de Ribeirão Preto decretar a falência da empresa sob a alegação de fraude no processo de recuperação judicial. Outro alvo é a cooperativa goiana Centroleite. Essas empresas, no entanto, são apenas um aperitivo. O grande sonho de consumo da Conaprole no Brasil é a Itambé, que por ora tem falhado em seu intuito de ser uma empresa consolidadora no setor. Para os uruguaios, a aquisição de uma fabricante como a companhia mineira lhes daria escala para disputar mercado com os maiores laticínios do país. Conaprole e Itambé são empresas de tamanho similar, o que abre espaço para uma associação ou uma joint venture. A empresa uruguaia capta cerca de um bilhão de litros e fatura o equivalente a R$ 1,8 bilhão por ano. A Itambé é ligeiramente maior: processa 1,2 bilhão de litros e faturou pouco mais de R$ 2 bilhões no ano passado. Antes mesmo de qualquer aquisição, a Conaprole já se vestiu de Brasil. No próprio site da empresa, há uma versão em português. O plano estratégico da companhia prevê a expansão da capacidade fabril em 35% até 2014 e o Brasil deverá ter um peso significativo nesta conta. A Conaprole procura uma mola que lhe permita saltar por cima das barreiras alfandegárias brasileiras. As restrições impostas pela Camex a  entrada de leite e derivados do Uruguai automaticamente cairiam por terra com a compra de uma empresa no país. Mesmo com as sobretaxas, o Brasil é hoje um dos cinco maiores mercados internacionais da Conaprole, que exporta quase 60% da sua produção.

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