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Acervo RR
Algo que parecia inimaginável há alguns meses está ocorrendo na Sanepar. Após quatro anos de péssimo relacionamento com Roberto Requião, os sócios privados da estatal estão acertando os ponteiros com o novo governador do Paraná, Beto Richa. A trégua inclui o direito de indicação de dois diretores, o de finanças e o de meio ambiente. O plano de investimentos para os próximos quatro anos também será formatado em conjunto entre o governo do estado e o consórcio Dominó, controlado por Andrade Gutierrez e Opportunity ? a estatal Copel, que também integra o grupo, não conta por também fazer parte do governo. Em contrapartida, a empreiteira e o banco se comprometem a retirar todas as ações contra o governo do estado, que não são poucas. Há pelo menos quatro anos, o consórcio, dono de 40% do capital ordinário da Sanepar, briga na Justiça para rever seu direito de participar da gestão da companhia. Beto Richa tem razões de sobra para colocar panos quentes na situação. Sua assessoria jurídica identificou riscos de o Dominó embargar todas as decisões administrativas da Sanepar nos últimos anos em caso de vitória jurídica, além da ameaça de engessamento do novo plano estratégico. Ao mesmo tempo, Richa enxerga mais valia política no cessarfogo. A intenção é usar o acordo com os acionistas privados como uma quebra de paradigma e um diferencial em relação a gestão de Roberto Requião, que ficou marcada por truculentas relações institucionais. Por sua vez, o consórcio Dominó volta a exercer sua participação na Sanepar, o que lhe permite, eventualmente, vender suas ações, algo que se tornou praticamente inviável com o imbróglio jurídico. Além da composição da nova diretoria da Sanepar e do plano estratégico, o governo do estado e os sócios privados também trocam figurinhas sobre um tema espinhoso: o aumento das tarifas da empresa, que, segundo cálculos do estado, estão defasadas em mais de 30%. Parte da desatualização se deve ao próprio contencioso, que impediu a discussão do assunto entre os sócios nos últimos anos. A proposta do governo é o escalonamento dos reajustes em, pelo menos, três anos, que seria acompanhado de um esforço comercial para aumentar o número de municípios atendidos pela estatal. Das 399 cidades do estado, há 55 que não utilizam os serviços da Sanepar
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