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Acervo RR
Na sala que abriga o chamado Comitê Executivo da Bunge ? sistema ?compartilhado? de gestão em que um manda e desmanda, no caso Pedro Parente, e seis vicepresidentes e dois diretores, resignados, obedecem ? um nome parece pesar como chumbo e escorrer como óleo sempre que pronunciado:Monteverde Agroenergética. A usina sucroalcooleira localizada em Ponta Porã (MS) está se tornando um bagaço jurídico para a multinacional. A fonte do RR ouviu do próprio diretor de assuntos corporativos e sustentabilidade da Bunge, Adalgiso Telles, que os Wallauer, acionistas minoritários da usina, com 40%, estão contestando os métodos e procedimentos adotados pela Bunge. A família foi dormir com um parceiro e, quando acordou, tinha do lado um inimigo. Ao fechar a venda de 60% da Monteverde, em 2008, o clã acertou como contrapartida permanecer na gestão do negócio e ter poder de veto em decisões estratégicas. Na prática, porém, o acordo evaporou como uma gota de álcool. A Bunge instituiu um sistema de apartheid administrativo, empurrando os Wallauer para longe da gestão da Monteverde. Ontem, o RR – Negócios & Finanças tentou contato com Adalgiso Telles por meio de sua assessoria de imprensa. O executivo, no entanto, não retornou até o fechamento desta edição. Sucessivas medidas adotadas pela Bunge esgarçaram o relacionamento entre os sócios. Hoje, a diretoria da usina é composta apenas por nomes indicados pela multinacional, curiosamente nenhum com passagem pelo setor sucroalcooleiro. Outro ponto de fricção é a política de financiamento dos projetos da Monteverde. Todos os recursos são integralmente emprestados pela Bunge mundial. Até aí, nada demais, não fossem as condições do crédito. Em um dos contratos, a usina foi obrigada a pagar de juros 145% do CDI sem qualquer carência. Os Wallauer tentaram barrar o financiamento, sem sucesso. A situação na Monteverde se agravou no último ano. A usina apresentou no balanço de 2009 Patrimônio Líquido (PL) negativo. Desde então, a Bunge passou a fazer pressão por um aumento de capital, o que acirrou ainda mais a reação dos sócios. Os valores discutidos para o aporte seriam superiores a s cifras que a família recebeu há mais de dois anos na venda de 60% da empresa. Entre os Wallauer não falta quem enxergue que a verdadeira intenção da Bunge é forçar a diluição da participação do clã, valendose do seu peso financeiro. Os Wallauer ainda tentam usar do pouco do poder que lhes sobrou na Monteverde. Não aprovaram as contas da usina e pressionaram o Conselho de Administração da Monteverde Agroenergética. Em meio ao imbróglio e a iminência de um longo contencioso, alguns dos executivos deixaram a usina recentemente. O clima de cizânia contamina os projetos da Bunge, no micro e no macro. A companhia engavetou o projeto de expansão da Monteverde e a capacidade de moagem continua na faixa de 1,4 milhão de toneladas de cana por safra. Ao mesmo tempo, o litígio com os Wallauer surge justo no momento em que a multinacional faz alarde sobre um plano agressivo de aquisições de usinas e a criação de uma empresa no setor.
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