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Acervo RR
O futuro da Daslu se aproxima do turning point. Até o fim de fevereiro, a empresa vai apresentar aos credores seu plano de recuperação judicial. Em jogo, o pagamento de uma dívida que beira os R$ 100 milhões. A aprovação da proposta de quitação do passivo é uma etapa sine qua nom para o próximo e decisivo passo: a venda da Daslu. Nas últimas semanas, os advogados de Eliane Tranchesi avançaram nas gestões com a Justiça e os próprios credores para o leilão da companhia, que seria realizado no âmbito do plano de recuperação. Há duas hipóteses sobre a mesa: a venda integral do controle ou de uma participação, modelo este em que Eliane Tranchesi permaneceria no negócio, muito provavelmente como minoritária. Há dois fortes candidatos a compra da Daslu. Um deles é o investidor Marcus Elias, sócio da Parmalat. Outro nome forte é o Grupo JHSF, pertencente a José Auriemo. Entre outros empreendimentos, a empresa é dona do shopping de luxo Cidade Jardim. Pode até soar estranho que um negócio com tantas dificuldades financeiras e fiscais e tão estigmatizado como a Daslu possa ser objeto de duelo entre dois investidores. No entanto, cada qual com suas motivações, Marcus Elias e José Auriemo têm razões de sobra para avançar sobre a companhia. Elias, tradicional perseguidor de junk bonds, fareja uma boa possibilidade de realizar lucro mais a frente. Ele tem know how em comprar empresas, recuperá-las ? a s vezes, nem tanto ? e, por fim, vender parte do capital ou o seu controle, caso da Parmalat, que se uniu a Monticiano, leia-se GP Investimentos. Auriemo, por sua vez, é do ramo. A própria Daslu é uma das lojas-âncora do Cidade Jardim. Sua investida sobre a empresa tem uma boa dose de cautela e atitude defensiva. Seu receio é que o controle da loja caia nas mãos de Carlos Jereissati, que também fez gestões para a compra da empresa no ano passado. O temor de Auriemo é mais do que compreensível. O Iguatemi é o atual responsável pela operação da Villa Daslu, espaço suntuoso localizado na Vila Olímpia, em São Paulo. Com a compra da empresa de Eliane Tranchesi, Jereissati passaria a ser o dono de todo o complexo, que deverá ser vendido no mesmo pacote. Ficará com o caminho aberto para instalar um shopping de luxo no local, exatamente a pretensão de Auriemo. Ressalte-se ainda que a JHSF quer proteger o seu próprio território. No caso da compra da Daslu, por vias tortas o Iguatemi passaria a ter uma loja encravada no Cidade Jardim.
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