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Acervo RR
O futuro da Nextel no Brasil é um samba de duas notas. Os norte-americanos garantem que a empresa seguirá sua carreira solo no país e investirá mais de R$ 5,5 bilhões para a montagem de uma rede de telefonia celular. A concorrência, no entanto, ouve outro acorde. Não falta quem aponte a Nextel como uma mera barriga de aluguel da telefonia. Para seus adversários, a empresa teria se aproveitado das condições especiais que recebeu no leilão da banda H para arrematar as licenças e, com este trunfo na mão, negociar uma associação com outro grande grupo do setor. Quem desdenha quer comprar, no caso praticamente todas as grandes empresas de telefonia do país que ficaram de fora da licitação. Mas se o assunto for unicamente a parceria com a Nextel o primeira da fila atende pelo nome de Vivendi. Os franceses procuraram a Nextel logo após o leilão, realizado em dezembro. A associação entre as duas empresas transborda em sinergia. A Nextel fincaria sua bandeira na telefonia fixa, graças a GVT, controlada pelos franceses. Além das vantagens operacionais, teria um forte parceiro para dividir os riscos do negócio e, principalmente, a necessidade de alavancagem. Os investimentos estimados para a banda H representam quase seis vezes o valor médio aportado pela Nextel no Brasil nos últimos três anos. A Vivendi, por sua vez, equacionaria sua maior limitação operacional no país: a falta de um braço na telefonia celular. A GVT se tornaria uma empresa integrada de telecomunicações, ainda que tivesse de pagar o custo de começar do zero a montagem de uma rede móvel em todo o país. Que remédio! A recente reestruturação societária da Vivo e da Oi praticamente fechou as portas para um novo player comprar uma grande operadora celular com abrangência nacional. Diante do novo cenário do setor, os próprios franceses consideram que a operação da GVT só será economicamente viável caso a empresa entre na telefonia móvel em, no máximo, dois anos. A alternativa a parceria com a Nextel seria esperar pelo duvidoso, ou seja, os leilões das frequências 4G, hoje uma incógnita em todos os sentidos ? do modelo a data da licitação. A Vivendi, contudo, sabe que não está sozinha no páreo. A Nextel é um prato cheio tanto para quem já está presente no Brasil quanto para quem quer desembarcar nestas praias. É o caso, por exemplo, da Vodafone, que há tempos ensaia sua entrada no país.
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