LG procura nova área de cobertura no Brasil - Relatório Reservado

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LG procura nova área de cobertura no Brasil

  • 21/01/2011
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É cada vez mais tenso o clima na divisão de celulares da LG no Brasil. O ambiente mistura sucessivas perdas de market share, crescentes cobranças da matriz, problemas de relacionamento entre os principais dirigentes e o risco de deserções de executivos descontentes. A fila vai ser puxada pelo nº 1 da operação, Marcus Daniel, que está saindo da empresa para se associar a um fabricante chinês de celulares prestes a desembarcar no Brasil. Não deixará muitas saudades, tanto entre os sul-coreanos quanto entre seus colegas. entre seus colegas. O estilo centralizador de Daniel minou sua convivência com os demais diretores da companhia. Desde que assumiu, em maio de 2009, o executivo teria jogado para escanteio uma série de medidas adotadas por seu antecessor, Alexandre Jesus, conhecido no setor como ?Mineiro? ? único brasileiro que conseguiu chegar a uma vice-presidência do grupo nestas praias. Entre outras ações, Jesus selou acordos com operadoras e redes varejistas que ajudaram a LG a saltar para o segundo lugar do ranking de celulares no Brasil, em 2008 e nos primeiros meses de 2009 ? neste período o market share da empresa subiu de 20% para quase 28%. Nos corredores da companhia, onde impera a hostilidade, a percepção é que Marcus Daniel não resistiu a  inevitável comparação com seu predecessor. Talvez seja intriga da oposição, mas ela não é pequena. Os problemas de relacionamento chegaram a tal ponto que outros executivos insatisfeitos com a atual gestão ensaiam deixar a LG mesmo com a saída de Marcus Daniel. Da matriz, por sua vez, sobram críticas a  gestão de Marcus Daniel ? línguas mais afiadas dentro da própria LG afirmam que ele só aceitou o convite dos chineses para escapar da iminente degola. No último ano, a empresa caiu do segundo para o terceiro lugar no ranking da venda de aparelhos no país. Além da Nokia, líder do setor, a LG foi superada pela arquirrival Samsung, aos olhos dos sul-coreanos sempre o maior dos pecados. No mesmo período, o market share da companhia teria recuado de 26% para aproximadamente 22%. Só não caiu mais porque a LG se viu obrigada a cortar suas margens operacionais no osso e trabalhar com preços finais mais baixos na venda de aparelhos. Marcus Daniel pode até ter alguma culpa no cartório, como imaginam os sul-coreanos. Mas é, no mínimo, reducionismo jogar apenas sobre suas costas as oscilações de performance da LG no mercado brasileiro de celulares. A matriz tem grande participação no atual cenário, em razão da morosidade no lançamento de produtos no país. A empresa não conseguiu desenvolver produtos high tech para duelar, sobretudo, com os smartphones, principais responsáveis pela sua perda de participação. O Brasil, portanto, é parte importante de um problema maior. Se serve de consolo, Marcus Daniel não é o único para-raios da insatisfação dos sul-coreanos. As dificuldades da LG no mercado mundial de celulares foram a principal causa da queda de Yong Nam, que deixou o cargo de CEO do grupo em setembro último.

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