Térmicas opõem EPE e Ministério de Minas e Energia - Relatório Reservado

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Térmicas opõem EPE e Ministério de Minas e Energia

  • 23/07/2010
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Há um curto-circuito nas relações entre o ministro de Minas e Energia, Marcio Zimmermann, e o presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Mauricio Tolmasquim. As faíscas se devem a  decisão da EPE de praticamente excluir as termelétricas movidas a gás natural e a óleo diesel do Plano Decenal de Expansão de Energia 2019 (PED 2019). O próprio Tolmasquim foi o principal artífice do veto, com base em análises técnicas da EPE que consideraram desnecessária a construção de novas usinas a gás e a óleo diesel. No entanto, no que depender de Zimmermann, o PED 2019 anunciado em maio vai ser eletrocutado. O ministro quer que o planejamento seja refeito, com a inclusão de projetos termelétricos. A finalidade é criar uma reserva técnica para eventuais problemas na geração hidrelétrica. A própria área técnica do Ministério de Minas e Energia contesta os critérios adotados pela EPE na elaboração do Plano Decenal, documento que serve como bússola para os investimentos federais na área de geração. No Ministério, o trabalho da EPE foi considerado, no mínimo, imprevidente. A avaliação é que a empresa usou cálculos demasiadamente justos em suas previsões para o consumo de energia nos próximos nove anos, reduzindo a possibilidade de manobra e aumentando a margem de erro do documento. Para o Ministério, pode haver um descompasso entre a produção e a demanda por energia se, por exemplo, o PIB crescer mais do que 5% por três anos consecutivos até 2019. A EPE também teria minimizado a possibilidade de atraso na implantação de grandes projetos hidrelétricos, algo perfeitamente plausível dada a complexidade dos empreendimentos. Na avaliação da pasta de Minas e Energia, qualquer solavanco um pouco mais forte no cronograma dos projetos já em curso, como Belo Monte e as usinas do Rio Madeira, ou ainda por licitar, caso das hidrelétricas do Tapajós, poderá provocar desajustes na oferta de energia que não estariam contemplados no Plano Decenal.

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