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Acervo RR
A família Queiroz, sobrenome tradicional do agronegócio e uma das maiores exportadores de carne bovina do país, chegou a uma encruzilhada. Entre os integrantes do clã cresce a percepção de que o frigorífico Minerva precisa descer do muro e participar do processo de consolidação do setor, do qual a empresa tem sido mera espectadora. O receio da família é perder ainda mais contato com a JBS Friboi e o Marfrig, que atingiram escalas exponenciais após sucessivas aquisições. A questão que divide os Queiroz é para que lado do muro descer: se na ponta compradora ou na ponta vendedora. Na primeira hipótese, a solução cogitada é caminhar na direção de frigoríficos de médio porte que perderam o bonde da consolidação. É o caso do Quatro Marcos, de Mato Grosso. Há cerca de dois anos, o Quatro Marcos chegou a anunciar sua associação com o Margen, formando uma empresa com faturamento anual de quase R$ 3 bilhões. O negócio, no entanto, acabou desfeito por discordâncias entre as duas companhias quanto aos valores do contrato, aliadas a crise mundial. Em recuperação judicial, o Quatro Marcos conseguiu renegociar sua dívida com os credores, abrindo caminho para a venda de parte do capital ou do controle. Com a eventual aquisição, o Minerva ganharia mais de musculatura, saltando de R$ 2,8 bilhões para quase R$ 3,5 bilhões de receita anual. Na direção oposta, a família Queiroz sabe melhor do que ninguém que não faltam candidatos a aquisição do Minerva. O próprio Marfrig já teria feito uma investida sobre a empresa ? ver RR – Negócios & Finanças edição nº 3.833. Outro pretendente é a Tyson Foods. O grupo norte-americano, que comprou três unidades de abates de aves na Região Sul, vai entrar na produção de carne bovina no país. Na semana passada, em audiência na Comissão de Agricultura da Câmara dos Deputados, o próprio presidente da Tyson Brasil, Vitor Hugo Brandalise, enfatizou que o grupo já tem um orçamento aprovado para novas aquisições no Brasil. Procurado pelo RR – Negócios & Finanças, o Minerva negou “qualquer tipo de negociação”. Pode ser. No entanto, alguns fatores empurram a empresa na direção da venda de uma participação ou do controle. Além da necessidade de ganhar escala, o frigorífico convive nos últimos anos com uma performance errática. Em 2008, fechou com prejuízo de R$ 244 milhões. No ano passado, teve lucro de R$ 81 milhões. A bonança durou pouco. No primeiro trimestre deste ano, o Minerva registrou perdas de R$ 23 milhões, contra um pequeno lucro de R$ 1 milhão entre janeiro e março de 2009.
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