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Acervo RR
A venda da participação do ING na SulAmérica tornou-se o samba do seguro doido. O alardeado interesse de grupos como MetLife, Zurich ou Axa é visto com ceticismo entre os executivos da companhia brasileira e os próprios holandeses. A investida de uma destas empresas esbarra em uma questão fundamental: a falta de balcão. Assim como a própria SulAmérica, todas estas seguradoras carecem de uma vitrine própria com escala suficiente para competir com os grandes conglomerados financeiros, que combinam seu braço de seguros com uma vasta rede de agências bancárias. Em qualquer destes casos, seria uma associação de partes que não se completam. Por esta razão, o caminho para a saída do ING aponta em outra direção. Segundo uma fonte entronizada no Conselho de Administração da SulAmérica, dentro da empresa há um consenso e uma certa torcida de que a participação dos holandeses deverá cair no colo de um dos big five da banca nacional. Pela ordem natural, Banco do Brasil _ ver RR – Negócios & Finanças nº 3.969 _, Bradesco e Itaú despontam como os candidatos mais fortes. No entanto, Santander e HSBC têm motivos de sobra para ir com sede ao pote do ING. Tanto para os espanhóis quanto para os ingleses, a compra da participação do grupo holandês seria uma das últimas possibilidades de desembarcar no capital de uma grande seguradora no Brasil ainda não vinculada a um banco de varejo. A negociação dos 36% da SulAmérica pertencentes ao ING não deve ser vista como um movimento isolado, que se encerra em si próprio. Trata-se apenas da primeira pedra do dominó a cair sobre a mesa. O meia-volta, volver dos holandeses seria apenas um rito de passagem para a venda do próprio controle da SulAmérica, com a saída da família Larragoiti. Patrick Larragoiti que até amealhou bons resultados em sua gestão cansou de brincar de executivo. Hoje está restrito ao comando do Conselho de Administração, o que lhe permite ser feliz no palacete de algum luxuoso balneário, a milhas de distância da sede da seguradora na Cidade Nova, no Centro do Rio. O próprio processo de sucessão é uma peça importante no quebra-cabeças do futuro da SulAmérica. Para alguns, a seguradora passou por um processo de profissionalização; para outros, no entanto, é uma empresa acéfala desde o início do ano, quando Thomas de Menezes assumiu a presidência executiva. A única coisa certa é que a sua rentabilidade é diminuta em relação ao faturamento.
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