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Acervo RR
Há pouco mais de um mês na presidência da América Latina Logística (ALL), o executivo Paulo Basílio carrega no rosto as marcas das noites mal-dormidas entremeadas por dias de absoluta tensão. O motivo desse estado de espírito atende pelo nome e sobrenome de Cristina Kirchner. As relações entre a ALL e o governo argentino estão cada vez mais alfinetadas. As autoridades locais vêm pressionando a empresa a aumentar os investimentos em suas duas concessões no país, a ALL Mesopotamica e a ALL Central. Nos últimos dois meses, a cobrança atingiu decibéis mais altos. O amplificador foi a decisão da ALL de comprar a participação do acionista minoritário Railroad Development Corporation no capital das duas concessionárias. O governo argentino aproveitou a ocasião para esgarçar ainda mais a relação com a empresa. Estaria condicionando a aprovação do negócio ao compromisso da ALL de aumentar significativamente os aportes nas duas ferrovias. Procurada pelo RR – Negócios & Finanças, a ALL não quis se pronunciar. O desgaste nas relações com o governo argentino é tratado pelo alto-comando da ALL como uma questão de alto risco institucional. Cristina Kirchner tem um histórico de conflitos com grandes empresas. A presidente argentina é useira e vezeira em quebrar as regras mais elementares do protocolo de uma chefe de Estado e atacar publicamente companhias de peso, inclusive valendo-se de sua página no Twitter. No caso da ALL, a ameaça de uma inimizade declarada aumenta a medida que a empresa tenta se esquivar de novos investimentos na ALL Argentina. A companhia alega que vem cumprindo a determinação de investir por ano o equivalente a 9,5% da receita líquida das duas ferrovias no exercício imediatamente anterior. Neste ano, os aportes deverão ficar na casa dos R$ 30 milhões. Não vai ser com cláusulas e incisos do edital de venda das concessionárias que a empresa vai aplacar a insatisfação do governo argentino. Como se não bastasse o risco institucional e político, a operação da ALL na Argentina é feita de altos e baixos. No momento, a ALL Argentina sobe a ladeira, impulsionada pela alta de 40% da produção agrícola na safra de 2010. No segundo trimestre, o volume de cargas transportadas cresceu 16%. No mesmo período, a receita bruta subiu 46%. Esta, no entanto, é uma fotografia que pode esmaecer rapidamente. Não há qualquer garantia de que a economia argentina e o setor agrícola vão manter uma tendência de crescimento em 2011. Paciência! Também não vai ser com os demonstrativos financeiros que a companhia sairá do índex de Cristina Kirchner.
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