Indústria têxtil quer um algodão-doce fiscal - Relatório Reservado

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Indústria têxtil quer um algodão-doce fiscal

  • 6/10/2010
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O governo está no meio de uma contenda tributária que deverá atravessar o mandato de Lula e cair no colo de seu sucessor. De um lado, o setor de vestuário; do outro, os produtores de algodão. A indústria têxtil _ capitaneada por Josué Gomes da Silva, presidente da Coteminas tem se movimentado junto ao Ministério do Desenvolvimento para estender o prazo de isenção tributária nas importações de algodão. Os lobistas do setor não esperaram a tinta secar para passar uma segunda demão. No início deste mês, a Camex zerou a taxa de importação, que era de 10%. A medida vai vigorar até maio de 2011, período de entressafra da produção nacional. O motivo da decisão foi a quebra da safra de algodão em 2010, que provocou um déficit na oferta da matéria-prima. A indústria têxtil, no entanto, quer ampliar a duração do refresco fiscal. Reivindica ao menos a retomada gradativa da cobrança, de maneira que a alíquota só volte ao patamar de 10% no fim de 2011. O argumento é que há riscos de que a oferta doméstica do produto não se normalize plenamente no próximo ano, o que deixará a indústria ainda altamente dependente das importações. Para o governo, o cobertor é curto. Atender a  reivindicação da indústria têxtil significará comprar um barulho com os produtores de algodão. Neste ano, os agricultores não tiveram outro jeito senão engolir a decisão da Camex sem maior atrito. Complacência, no entanto, tem limite. Entre os produtores, a atitude da indústria têxtil é vista como um ato oportunista.

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