Buscar
Acervo RR
A entrada no setor de construção civil, anunciada há cerca de duas semanas, é a exceção a regra na Camargo Corrêa Desenvolvimento Imobiliário (CCDI). A reestruturação deflagrada na incorporadora está mais para um bota-abaixo. O presidente da CCDI, Francisco Sciarotta Neto, tem sido pressionado pelos sócios controladores a caminhar na mão contrária da estratégia de aumento de investimentos e do volume de ativos vista nos últimos dois anos. A ordem é vender imóveis para ajudar a reduzir o elevado passivo e recuperar a geração de caixa da empresa. Ao longo de 2009, a dívida de longo prazo da CCDI cresceu 30%. Já está na casa de R$ 1,2 bilhão, praticamente o dobro do patrimônio líquido. Em dezembro do ano passado, a empresa precisou, inclusive, recorrer a um aporte de capital travestido de desmobilização de ativo. Obteve R$ 200 milhões com a venda da torre Ventura Corporate, no Centro do Rio de Janeiro, para a BTS Participações e Investimentos, subsidiária da própria Camargo Corrêa. Para contornar este cenário, a CCDI vai acelerar o processo de desmobilização do seu banco de terrenos, constituído em um período de vacas bem mais gordas no mercado imobiliário. A meta é reduzir em até 20% a atual carteira, de R$ 8,5 bilhões. Há negociações para a venda de dois grandes terrenos em São Paulo, que poderá somar algo em torno de R$ 200 milhões. Para efeito de comparação, é o dobro do que a CCDI amealhou no ano passado com a negociação de outras duas propriedades na capital paulista que pertenciam ao Itaú/Unibanco. As mudanças na companhia passam também pela venda de participações em alguns de seus maiores projetos imobiliários. A ideia é atrair fundos de investimento para empreendimentos específicos. Um deles seria o In Berrini, complexo residencial em São Paulo com Valor Geral de Vendas estimado em R$ 80 milhões. Os resultados operacionais da CCDI vão bem, obrigado. No ano passado, mesmo com a queda de 6% na receita, a empresa teve lucro de R$ 58 milhões, 12% acima do valor registrado em 2008. No entanto, além do endividamento, a CCDI se ressente de uma presença maior no segmento residencial. Não por acaso, Francisco Sciarotta colou na Caixa Econômica Federal, na tentativa de ampliar a participação da empresa no programa Minha Casa, Minha Vida. Hoje, apenas 20% dos empreendimentos da CCDI se enquadram no segmento de baixa renda ? no qual a empresa opera por meio da subsidiária HM Engenharia.
Todos os direitos reservados 1966-2026.