Buscar
Acervo RR
Há muita fumaça e pouco combustível no acordo firmado entre a Renault e a Prefeitura de São Paulo, no mês passado, para o desenvolvimento conjunto de um carro elétrico. No que depender da disposição financeira da montadora, é bom o prefeito Gilberto Kassab esperar sentado pelos veículos encomendados para a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), com entrega prevista ainda para este ano. A Renault não pretende colocar a mão no bolso. Só vai levar a operação adiante se tiver não apenas subsídios da Prefeitura, mas um amplo programa de financiamento do próprio governo federal, capaz de aumentar substancialmente a escala do projeto. Para a companhia, o desenvolvimento e a importação do veículo só se tornarão viáveis com uma linha de crédito oficial que permita o fornecimento integrado para diversas outras prefeituras, além de órgãos públicos estaduais e federais. Ou seja: a Renault quer que o governo federal seja seu sócio no risco do negócio. A Renault já desenvolveu o protótipo de um carro elétrico, o Leaf. O modelo será produzido nas instalações da Nissan no Japão ? a linha de montagem terá capacidade para quase 60 mil unidades/ano. Isso significa que uma parcela razoável dos custos do projeto já está amortizada. No entanto, a produção efetiva do veículo e sua exportação estão condicionadas a programas específicos de financiamento. Não por acaso, a Renault só tem fechado acordos de distribuição em países com subsídios para a venda de carros elétricos. É o caso dos Estados Unidos e da própria França. E será também o do Brasil.
Todos os direitos reservados 1966-2026.