Toyota ensaia um recall em seu comando no Brasil - Relatório Reservado

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Toyota ensaia um recall em seu comando no Brasil

  • 11/05/2010
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A direção da Toyota do Brasil tornou-se passageira da agonia. O desgastante recall de todos os veículos Corolla fabricados nos últimos dois anos, anunciado na semana passada, é apenas a parte mais visível do turbulento momento da montadora no país. É cada vez maior a pressão sobre Shozo Hasebe, presidente da subsidiária brasileira. O ano de 2010 é visto pelos japoneses como decisivo não apenas para a estratégia de negócios no país, mas para o próprio futuro da gestão Hasebe. Dentro da empresa, a percepção é que, se não conseguir aumentar o market share até o fim do ano, dificilmente o executivo permanecerá no cargo. Sua saída abriria espaço para uma reformulação nas áreas comercial e de marketing. Procurada pelo RR – Negócios & Finanças, a Toyota, por meio de sua assessoria de imprensa, negou qualquer mudança na diretoria. Os números da empresa não são animadores. Entre janeiro e abril, a companhia teria comercializado aproximadamente 18 mil veículos, 12% a mais do que no mesmo período no ano passado. O crescimento, no entanto, apenas seguiu o aumento médio do próprio setor e não foi suficiente para alavancar o market share. A participação de mercado segue em torno de 2%. Pior: de dezembro para cá, a Honda saiu de 4,2% para 4,5%. Quem conhece as entranhas da Toyota sabe que cada 0,1 ponto percentual conquistado pela rival pode significar um quilômetro a menos na trajetória de Hasebe no Brasil. Os números jogam contra Shozo Hasebe, que, diga-se de passagem, sempre desfrutou de grande prestígio na Toyota, onde está há mais de 35 anos com bem-sucedidas passagens por filiais da asia e do Oriente Médio. Desde 2005, quando ele assumiu o comando da subsidiária brasileira, o market share da montadora recuou de 2,7% para 2%. A perda de mercado não é o único solavanco de sua gestão. Hasebe tem uma relação complicada com os concessionários. Revendedores da montadora no Brasil já teriam levado a  matriz sua insatisfação com o executivo, visto por eles como intransigente e arrogante. O episódio do recall também despejou mais gasolina sobre a atual gestão. A sensação na própria montadora é que Shozo Hasebe teria minimizado o problema. Mesmo quando o Ministério Público e o Procon de Minas Gerais proibiram a venda do Corolla no estado, a direção da montadora não deu o braço a torcer. Negou que um defeito na fixação do tapete do veículo estaria causando aceleração involuntária e prometeu recorrer da decisão. Duas semanas depois, teve de anunciar o recall.

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