Sharp carrega a marca do infortúnio no mercado brasileiro - Relatório Reservado

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Sharp carrega a marca do infortúnio no mercado brasileiro

  • 14/05/2010
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Difícil saber quem tem mais saudades: se os Machline da Sharp ou se a Sharp dos Machline. A fabricante japonesa – que jamais conseguiu reeditar seus melhores momentos no mercado brasileiro desde o fim da associação com os herdeiros de Mathias Machline – corre o risco de sofrer mais um revés no país. Há dois anos responsável pela distribuição dos produtos Sharp no Brasil, por meio da subsidiária MPE, a Mitsui está revendo a parceria com a fabricante de eletroeletrônicos. Dentro do grupo, há uma crescente insatisfação com o desempenho da marca no país. As vendas de televisores, sua principal aposta, estão aquém do esperado. A marca japonesa não estaria mostrando fôlego suficiente para tirar mercado nem de empresas que entraram mais recentemente no país, como a AOC, e muito menos dos grandes fabricantes, como LG, Samsung, Philips e Semp-Toshiba. A Mitsui convive também com problemas de distribuição. O grupo estaria com dificuldades para fechar acordos com grandes redes varejistas e empresas de comércio eletrônico. Hoje, segundo o próprio site da Sharp Brasil, seus produtos só estão presentes em oito estados. Procurada pelo RR – Negócios & Finanças, a Mitsui/MPE não se pronunciou até o fechamento desta edição. Dentro da Mitsui, as possibilidades sobre a mesa vão de uma renegociação do contrato com a Sharp ao, no limite do limite, rompimento do acordo. A primeira hipótese está difícil. A trading estaria tentando rever alguns pontos do contrato, sobretudo no que diz respeito ao pagamento pela importação e montagem dos produtos. Quer reduzir os valores justamente por conta do modesto desempenho comercial no Brasil. A Sharp faz jogo duro. Outro motivo de divergência é a partilha dos investimentos em marketing no país, algo que não teria sido muito bem definido no acordo original. Desde 2008, quando a Sharp retornou ao mercado brasileiro, ainda não se viu uma longa campanha de publicidade da marca. Esta é uma grave lacuna em se tratando de um segmento que não sobrevive sem mídia institucional. A retomada da operação da Sharp no Brasil também foi abalada pela disputa jurídica em torno da marca, uma batalha de mais de uma década. Recentemente, a Sharp Corporation teria conseguido retomar o direito sobre sua própria marca no país, que estava em poder da massa falida da antiga associação entre o grupo e família Machline. O processo, no entanto, freou novos aportes no Brasil. A Mitsui teria ficado receosa em fazer investimentos mais expressivos em uma marca alvo de uma briga jurídica.

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