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Acervo RR
Não há microscópio capaz de revelar com nitidez onde termina a verdade e começa a dissimulação nas relações entre o Fleury e o Hermes Pardini, maior rede de laboratórios de análises clínicas de Minas Gerais. Nos últimos dias, as duas empresas vêm protagonizando um entrevero que abriu feridas em ambos os lados. A primeira espetada coube ao diretor de Finanças e RI do Fleury, Fabio Marchiori. Há pouco mais de uma semana, Marchiori afirmou a um site especializado na área de saúde que o Fleury pretende expandir sua atuação em Belo Horizonte. Até aí, nada demais. No entanto, num rompante pouco comum a diretores de RI, mestres em declarações evasivas, o executivo teria sugerido que o grupo está “próximo do laboratório Hermes Pardini” e “acompanha a decisão da rede mineira quanto ao seu futuro”. Para bom entendedor… A declaração foi recebida pelos executivos do Hermes Pardini como um soco no estômago. Parece até que alguma coisa saiu do script. No dia seguinte a entrevista de Marchiori, a empresa postou em seu site uma nota de esclarecimento garantindo que não “está em curso qualquer negociação para a venda de seu controle acionário.” Essa é apenas a parte mais visível da reação do Hermes Pardini. O alto-comando da empresa teria feito contato com o próprio presidente do Fleury, Mauro Figueiredo, solicitando que a companhia divulgasse um comunicado simultâneo desmentindo qualquer gestão entre as duas redes ? o que, na prática, seria uma descompostura pública em Marchiori. O Fleury, no entanto, não mexeu um dedo. Mesmo sendo uma companhia aberta, o que exige certos ritos em episódios como este, até o momento não fez qualquer pronunciamento formal sobre as declarações do executivo. Talvez a direção da empresa entenda que não há nada a ser negado. A indiferença do concorrente ? ou seria pretendente? ? causou irritação entre os acionistas da rede mineira. Procurado pelo RR – Negócios & Finanças, o Hermes Pardini ratificou que não há qualquer gestão para a venda do controle. Informou ainda que não solicitou ao Fleury a divulgação de um comunicado conjunto. Por sua vez, a empresa paulista também negou que esteja em negociações com o Hermes Pardini. Se Fabio Marchiori cometeu uma indiscrição, um erro de timing ou apenas uma fanfarronice e se há ou não algum jogo de cena na reação do Hermes Pardini só o tempo vai dizer. O que não se pode negar é que a empresa mineira é a rede de laboratórios mais cobiçada pelos grandes players deste mercado ? a própria Fleury e a Dasa. Com faturamento de R$ 350 milhões ao ano, trata-se de uma das últimas empresas capazes de fazer diferença no ranking do setor. Além disso, tanto o Fleury quanto a Dasa se ressentem de uma operação de maior fôlego em Minas Gerais.
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