Buscar
Acervo RR
Benjamin Steinbruch está usando de terapia intensiva para cicatrizar as feridas deixadas pela perda da Cimpor. Além da alardeada construção de três fábricas próprias de cimento com capacidade total de três milhões de toneladas, um investimento da ordem de US$ 800 milhões, a CSN partiu na direção da segunda maior empresa do setor no país. É candidata a compra do braço cimenteiro do Grupo João Santos, com sede em Pernambuco. Superada apenas pelo potentado Votorantim, a empresa produz cerca de 6,5 milhões de toneladas de cimento por ano e detém 12% de market share ? contra 40% das cimenteiras dos Ermírio de Moraes. Benjamin Steinbruch está pisando em um terreno de difícil travessia. A exemplo do patriarca, que morreu há um ano, os herdeiros do industrial pernambucano João Santos têm rechaçado o assédio de grandes grupos internacionais, caso recente da Lafarge. No entanto, Steinbruch chega com gana redobrada e uma betoneira de dinheiro. Não custa lembrar que a CSN conseguiu amealhar no exterior linhas de crédito no total de US$ 5,5 bilhões que seriam usadas na compra da Cimpor. Até o momento, nem um centavo sequer foi sacado e o plano de investimentos para o setor cimenteiro já anunciado por Steinbruch consumirá apenas 15% desta cifra. Outro fator pode jogar a favor da investida de Steinbruch. O jogo da indústria cimenteira mudou com intensa velocidade nos últimos meses e a João Santos não está mais na sua habitual zona de conforto. A própria Lafarge ganhou um status que nunca teve no mercado brasileiro. Ao assumir os ativos dos quais o Votorantim teve de abrir mão por conta da compra da Cimpor, o grupo francês pulou do sexto para o terceiro lugar do ranking nacional e passou a ameaçar a vice-liderança da João Santos. Com a compra da João Santos, a CSN passaria a ter 11 fábricas de cimento, com capacidade de oito milhões de toneladas/ano. Este número chegaria a 16 usinas e a uma produção de 12,5 milhões de toneladas em 2013, caso a promessa de Steinbruch de construir três fábricas e duplicar a planta de Volta Redonda saia do papel. A CSN aumentaria ainda seu espectro de atuação. Passaria a ter fábricas nas Regiões Nordeste, Centro-Oeste e Sul.
Todos os direitos reservados 1966-2026.