Acordo nuclear é o troco na compra dos caças franceses - Relatório Reservado

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Acordo nuclear é o troco na compra dos caças franceses

  • 3/03/2010
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A incompreendida fidelidade do governo Lula ao caça francês está prestes a ter sua primeira grande recompensa. O Brasil negocia um enriquecido acordo nuclear com a França, englobando cooperação tecnológica e, sobretudo, uma importante parceria comercial. As negociações envolvem a Indústria Nucleares Brasileira (INB), a Eletronuclear e a Marinha, pelo lado do Brasil, e Areva e EDF, pelo front francês. O acordo prevê, a partir de 2015, a exportação de urânio enriquecido com tecnologia desenvolvida pela Marinha brasileira no Centro Experimental de Aramar (SP). Os franceses se comprometem a financiar parcela expressiva dos aportes que terão de ser feitos para a construção de centrífugas no Brasil. A estimativa é que a operação demandará investimentos totais de três bilhões de euros ao longo de quatro anos. Caso a cifra se confirme, a parceria com a França vai superar o acordo nuclear com a Alemanha firmado pelo governo de Ernesto Geisel, que resultou na construção das usinas Angra 1 e 2. No Planalto, a expectativa é de que o acordo com a França seja fechado até julho. Existe até a possibilidade de que Lula faça uma visita oficial ao presidente Nicolas Sarkozy para anunciar a parceria. Além da transferência de tecnologia, os franceses vão fornecer equipamentos para o enriquecimento do urânio. Em troca, terão prioridade na importação de um volume do combustível, ainda a ser definido. Existe ainda a possibilidade de que a EDF e a Areva se associem a s usinas que serão construídas no Nordeste, dentro do programa nuclear brasileiro. Além da importância tecnológica e comercial, o governo brasileiro enxerga ainda ganhos políticos e diplomáticos no acordo com os franceses. A expectativa é de que Nicolas Sakorzy chancele o programa nuclear brasileiro junto a  Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA). O apoio de um país integrante do Conselho de Segurança da ONU e com amplo domínio da tecnologia nuclear abriria o caminho para o Brasil fechar parcerias com outros países.

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