Semp-Toshiba é um casamento de futuro incerto - Relatório Reservado

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Semp-Toshiba é um casamento de futuro incerto

  • 16/03/2010
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Nunca na história da Semp-Toshiba, houve uma negociação tão dura e demorada para a renovação da joint venture com os japoneses. A agenda do empresário Affonso Antônio Hennel, herdeiro e principal executivo da empresa, revela o quanto têm sido difíceis as conversas com a Toshiba. Desde julho do ano passado, quando expirou a versão mais recente do contrato, fechada em 2004, Hennel já viajou ao Japão quatro vezes. A última das visitas teria ocorrido em janeiro. Nas próximas semanas, o empresário deverá repetir a travessia, em mais uma tentativa de prorrogar um contrato que, em mais de três décadas de parceria, quase sempre foi renovado de forma automática. Uma das principais razões para o impasse são os royalties pagos pela família Hennel pelo uso da marca e da tecnologia da Toshiba. Os japoneses querem aumentar o percentual para compensar a recente queda nos resultados da empresa brasileira. No segmento de vídeo, a queda de faturamento em 2009 foi de aproximadamente R$ 100 milhões. A demora nas negociações também deve ser atribuída, em parte, a indefinições estratégicas da própria Toshiba, que passa por um reposicionamento em alguns mercados, notadamente na produção de TVs. A parceria de 33 anos com a Toshiba é o passado e, sobretudo, o futuro dos Hennel. Difícil imaginar o porvir da companhia sem os japoneses do lado. Até porque o presente ? com parceria e tudo ? não tem sido dos mais fáceis. No segmento de TVs, a Semp-Toshiba ficou para trás na concorrência com LG e Samsung. Além da competição mais acirrada, outro problema seriam os atritos no relacionamento entre Affonso Antônio Hennel e importantes varejistas, com reflexos no desempenho comercial da empresa. Em outro front, a companhia está envolvida com uma agenda trabalhista cada vez mais complicada. Os trabalhadores da fábrica de tubos de imagem TVs e DVDs estariam ensaiando uma nova greve, a segunda em menos de dois anos. Sinal dos novos tempos. A Semp-Toshiba passou quase 16 anos sem uma única paralisação. O impasse nas negociações com os japoneses lança interrogações sobre os já hesitantes planos de expansão da Semp-Toshiba. Nos últimos anos, a empresa anunciou algumas vezes a disposição de entrar na linha branca, mas, na Hora H, nada aconteceu. Não faltam dúvidas nem mesmo em relação aos investimentos na STI, a bem-sucedida investida do grupo na área de informática. Em janeiro deste ano, os Hennel anunciaram um desembolso de R$ 25 milhões para ampliar a produção de computadores em Salvador. O mesmo projeto foi anunciado em 2007 e, posteriormente, postergado pela família.

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