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Acervo RR
Está em curso uma operação que poderá dar origem a um dos maiores grupos de agribusiness do país. Há uma articulação para que a Los Grobo ? associação entre o argentino Gustavo Grobocopatel e a Vinci Partners, de Gilberto Sayão ? compre o controle da Agrenco. Com dívidas de quase R$ 1,5 bilhão, a empresa está em processo de recuperação judicial há mais de um ano. A negociação é costurada pelos próprios credores da Agrenco. Quem está a frente das conversas é o Santander, representante das instituições bancárias financiadoras da empresa. A ideia é que a Los Grobo compre integralmente a participação dos controladores ? Antonio Iafelice, Antônio Augusto Pires Jr. e Francisco Ramos. A operação resultaria na criação de um grupo com receita anual superior a US$ 1,5 bilhão, somando os negócios da Los Grobo no Brasil e na Argentina. Juntas, as duas empresas controlariam mais de uma dezena de unidades de esmagamento de soja, 15 centros de armazenamento e distribuição, um terminal ferroviário e um terminal marítimo no Brasil. Tudo muito bom, tudo muito bem, mas a venda da Agrenco é uma operação complexa. Um dos entraves é a renegociação da dívida, quatro vezes superior aos ativos. Tudo dependerá da boa-vontade dos credores quanto ao deságio do passivo. Outro empecilho é o enigmático acordo da Agrenco com a Glencore. Nem os próprios credores, para não falar dos acionistas minoritários, conhecem plenamente os termos do contrato. A trading de origem suíça selou uma parceria operacional com a Agrenco, que incluiu a gestão compartilhada de algumas unidades. Reza a lenda que em algum trecho pouco iluminado do contrato há uma opção de compra da companhia. Em dezembro do ano passado, rumores de que a Glencore estava prestes a adquirir o controle da Agrenco impulsionaram as ações da empresa. As duas companhias negaram o acerto e as cotações murcharam rapidamente. Como de hábito, alguém deve ter ficado muito mais rico. Do lado da Los Grobo, a aquisição da Agrenco aceleraria os planos de expansão do latifúndio agroindustrial de Gustavo Grobocopatel. O empresário argentino tem dito reiteradamente que seu objetivo é transformar a Los Grobo em uma espécie de “Cargill do Mercosul”. Trunfos não lhe faltam. Além da luxuosa companhia de Gilberto Sayão, acionista minoritário da empresa, com 21%, Grobocopatel conta com a explícita simpatia do casal Kirchner. O próprio ex-presidente Nestor Kirchner empenhou-se para que a Los Grobo investisse na Venezuela, operação posteriormente abandonada devido a uma série de problemas.
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