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Acervo RR
Após um período de hibernação no Brasil, a inglesa Icap saiu da caverna. Maior corretora de valores do mundo, a instituição está negociando a compra da Gradual Investimentos. O RR teve acesso ao termo de responsabilidade e confiabilidade assinado entre as duas partes no dia 11 de janeiro. Segundo fonte que participa da negociação, os britânicos já teriam, inclusive, iniciado o processo de due diligence. Com a aquisição, a Icap vai incorporar uma das maiores corretoras independentes do país, herdando uma carteira de ativos superior a R$ 2 bilhões. No entanto, tão ou mais importante do que a operação em si é o seu valor simbólico. Ao fisgar o controle da Gradual, os britânicos esperam dissipar de vez o zum-zum-zum em torno do seu futuro no Brasil. Nos últimos meses, tornou- se voz corrente no mercado que a Icap estaria preparando o terreno para deixar o país. Os próprios ingleses contribuíram para alimentar esta percepção. Ao desembarcar no mercado brasileiro, em 2008, a Icap fez a maior espuma no mercado: visitou diversas corretoras, engatilhou conversações cruzadas e acenou com aquisições em série, mas negócio que é bom fechou apenas um: a compra da Arkhe. Desde então, a performance da Icap Brasil tem sido decepcionante. A subsidiária teria fechado os últimos três anos no vermelho, com prejuízos superiores a R$ 130 milhões. Nem mesmo os sucessivos ajustes promovidos pela corretora desde 2011, com mudanças de executivos e o corte de quase um quinto dos funcionários, foram suficientes para estancar as perdas. A aquisição da Gradual serviria para reacender a expectativa de que, enfim, a Icap vai colocar sobre a mesa um plano de expansão no país minimamente compatível com seu porte mundial – o grupo administra mais de US$ 2 trilhões em ativos. Diante destas circunstâncias, a Icap considera a Gradual Investimentos a presa certa no lugar certo. Pertencente a empresária Fernanda de Lima – que assumiu o controle após um turbulento processo de sucessão societária, em 2007 -, a corretora paulista é vista pelos ingleses como um alvo relativamente frágil. Nos últimos anos, a instituição tem sido forçada a jogar suas taxas de administração no chão devido a agressiva estratégia comercial adotada por seus principais concorrentes. O cobertor acabou ficando cada vez mais curto. Segundo a própria Gradual, no ano passado seu lucro foi de R$ 200 mil. Procurada, a Icap não quis se pronunciar, nem sobre a possível negociação nem sobre seus números no Brasil. Mas, curiosamente, quem falou sobre os ingleses foi a própria Gradual. Na resposta enviada ao RR, a corretora paulista fez questão de destacar que a Icap Brasil teve um prejuízo de R$ 20 milhões em 2012. No que diz respeito a operação, a Gradual garantiu que “não existe qualquer processo de due diligence”.
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