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Acervo RR
Azedou de vez a relação entre os sócios da Santa Fé, dona de duas fábricas de vagões ? uma em Santa Maria, no Rio Grande do Sul, e outra em Campinas, no estado de São Paulo. De um lado, a América Latina Logística (ALL); de outro, a Millinium Investimentos, ex-subsidiária da indiana Besco Engenharia e Serviços, que foi vendida para a Citra Participações. No início do ano passado, diante dos péssimos resultados financeiros da Santa Fé, que nunca mostrou lucro, a ALL fez uma oferta de compra da metade da laranja que pertencia a Millinium Investimentos. A sócia topou o acerto, mas não levou nenhum centavo pelo negócio, pois o pagamento acordado não foi feito no prazo estabelecido. As duas empresas não se entenderam quanto ao valor da participação e o caso foi parar na Justiça. Enquanto o assunto não é decidido nos tribunais, a empresa não pode ser fechada ou mesmo transformada em uma simples unidade de negócios da ALL. O resultado do impasse é, no mínimo, atípico, inclusive para efeitos contábeis. Desde agosto, a ALL contabiliza em seu balanço os números da Santa Fé como se tivesse o controle integral, mesmo sem ter desembolsado o pagamento pelas ações. Na outra ponta, a Millinium Investimentos se sente ainda dona, apesar de não estar mais no contrato social, e quer fazer valer o acordo prévio com a ALL ou ter suas ações de volta. A estratégia da empresa é gerar o impasse e forçar uma negociação com a operadora ferroviária. O mais estranho é que a briga entre os sócios é por algo muito próximo de nada. A Santa Fé é um trem fantasma. Não produz um único vagão há mais de um ano. As duas fábricas, na verdade, se restringem a uma, em Santa Maria. A de Campinas, fechada, já havia se tornado apenas um centro de serviços. A empresa está restrita a manutenção de vagões da própria ALL. O write-off somente não foi feito porque a operadora ferroviária precisa acertar antes o caso na Justiça. Se ganhar a causa, o futuro da fabricante de vagões deverá ser o fundo da garagem. A Santa Fé é considerada na ALL o patinho feio. Desde que entrou em operação, em dezembro de 2005, a companhia só vem minguando. É uma pena, pois tem capacidade instalada para produzir mil unidades por ano em Santa Maria (RS), além da fabricação de material rodante.
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