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Acervo RR
Quem poderia dizer que, um dia, a presença dos Ermírio de Moraes em um negócio seria sinônimo de inapetência empresarial, anemia financeira e paralisia de investimentos? Hoje, a família Fischer pode. Menos de três anos após a fusão da Citrovita e da Citrosuco – leia-se, respectivamente, os grupos Votorantim e Fischer -, a operação tem se revelado um azedume societário. De acordo com fontes ligadas a fabricante de suco de laranja, são cada vez maiores os atritos e a dissonância entre as duas famílias no que diz respeito a estratégia da companhia. Os Fischer querem pisar no acelerador; já os Ermírio de Moraes, certamente abalados pelos solavancos que têm enfrentado, seja no Banco Votorantim, seja em outras áreas de negócio, puxam o freio de mão com toda a força. Resultado: a dobradinha Citrovita/Citrosuco não consegue sair do lugar. Sua capacidade de produção é quase a mesma de três anos atrás, cerca de 140 milhões de caixas de laranja por safra. O mesmo ocorre com a rede comercial no exterior, praticamente estagnada desde 2010. Ressalte-se que o Cade levou mais de um ano e meio para aprovar a fusão entre a Citrovita e a Citrosuco, o que só ocorreu em dezembro de 2011. Natural, portanto, que, ao longo desse período de indefinição, os sócios da companhia tenham evitado qualquer investimento de maior porte. Porém, na hora do “vamos ver”, as diferenças entre os acionistas começaram a aflorar, acentuando-se nos últimos meses. A família Fischer está convicta de que é hora de aproveitar a estiagem da economia global e avançar nos fragilizados mercados norte-americano e europeu. O clã defende a abertura de escritórios de representação em diversas regiões. Seria apenas o desjejum. O investimento mais ousado ocorreria nos Estados Unidos: a construção de uma fábrica na Flórida. O problema é a outra metade da laranja. O Votorantim enxerga o negócio por lentes bem menos otimistas. Recusa-se a aprovar investimentos de maior monta e insiste que é momento de espremer custos e deixar qualquer plano de expansão para o porvir. Os Ermírio de Moraes se valem de argumentos endógenos e exógenos para justificar sua cautela. Internamente, defendem um ajuste mais rigoroso da estrutura financeira da nova holding, sobretudo da operação da antiga Citrosuco. A empresa vem de uma sequência de prejuízos. Entre 2010 e 2011, as perdas passaram dos R$ 320 milhões. No ano passado, a empresa teria fechado no vermelho mais uma vez. A Citrovita também tem passado por momentos cítricos. Pressionada pela menor rentabilidade e pelo aumento dos custos operacionais, a empresa fechou a fábrica de Matão, interior de São Paulo. Ao mesmo tempo, o Votorantim evoca a queda da produção de laranja no Brasil. Para a safra 2013-2014, as projeções mais conservadoras indicam um recuo de 20%. Nas discussões com os sócios, os Ermírio de Moraes têm citado até exemplos recentes da concorrência, como o caso da Pepsico, que cancelou a comercialização de suco de laranja integral pronto para beber no varejo norte-americano. Para os Fischer, todos estes argumentos não passam de um suco aguado. O Votorantim estaria buscando fora desculpas para encobrir os problemas de dentro, leia-se suas circunstanciais limitações financeiras decorrentes das perdas em diversas de suas operações. Consultada, a Citrovita/Citrosuco não quis se pronunciar.
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