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Acervo RR
A abertura de um escritório em São Paulo é apenas a primeira das mil e uma noites. Ao anunciar seu desembarque no país, há cerca de duas semanas, o National Bank of Abu Dhabi (NBAD) não revelou sequer uma página das tantas histórias que já tem para contar. A instituição sinalizou ao BC o interesse não apenas de atuar como banco no Brasil como também de fazer uma aquisição já nos próximos meses. Neste caso, seus caminhos no país passam pelo próprio Oriente Médio. Segundo uma fonte do BC, o NBDA, controlado pelo Conselho de Investimento de Abu Dhabi, articula a aquisição do Banco ABC Brasil. O ABC pertence ao grupo Arab Bank Corporation, cujo controle, por sua vez, é compartilhado pelo Banco Central da Líbia e pelo fundo soberano do Kuwait. Com a operação, o NBAD iniciaria sua trajetória no mercado brasileiro partindo de uma plataforma bancária razoavelmente expressiva. Herdaria quase R$ 14 bilhões em ativos. Ressalte-se que, além da proximidade geográfica, há outro elo entre as duas instituições. A executiva Angela Martins, contratada para comandar a operação do banco de Abu Dhabi no Brasil, ocupou por muitos anos a diretoria de negócios internacionais do ABC. O RR entrou em contato com o ABC Brasil e o NBAD, mas ambos não retornaram. O ABC Brasil – que tem suas origens na compra do antigo Banco Roma, de Roberto Marinho – vive cercado de incertezas desde o fim de 2011, com a deposição e morte de Muammar Kadafi e a ascensão do novo governo líbio. Um dos mais importantes financiadores de empresas do Oriente Médio no país, o ABC deu uma pisada no freio nos últimos dois anos, não por coincidência período no qual se misturaram não apenas a troca de poder na Líbia como também o aumento da inadimplência no mercado bancário brasileiro. Seu grande salto se deu entre dezembro de 2009 e o fim de 2010, quando sua carteira de empréstimos cresceu 40% e chegou a casa dos R$ 7,2 bilhões. Nos últimos dois anos, no entanto, o ritmo de crescimento foi muito menor. Hoje, suas operações de crédito somam cerca de R$ 7,6 bilhões, o que significa um aumento de apenas 6% em relação ao valor registrado em dezembro de 2010. Ainda assim, é importante ressaltar que o ABC Brasil é visto no mercado como uma instituição extremamente sólida, muito em razão de suas próprias origens. A maior parte de suas operações está lastreada em garantias de governos do Oriente Médio. Esta é justamente uma das condições que mais atrai o interesse do National Bank of Abu Dhabi. O NBAD aproveitaria a automática sinergia geográfica, política e étnica para alavancar um volume maior de recursos entre os países árabes, notadamente entre fundos soberanos e investidores institucionais dispostos a espalhar seus petrodólares no Brasil.
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