Putin e Medvedev flertam com o urânio brasileiro - Relatório Reservado

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Putin e Medvedev flertam com o urânio brasileiro

  • 4/03/2013
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Se qualquer negociação envolvendo o binômio energia nuclear e capital estrangeiro já deixa o alto-comando das Forças Armadas em posição de sentido, imagine, então, quando, do outro lado da mesa, encontra-se uma estatal russa constantemente associada a interesses controversos e difusos. A Rosatom vem mantendo conversações com o governo brasileiro, notadamente o Ministério de Minas e Energia. Em pauta, uma parceria operacional para o enriquecimento de urânio em escala comercial. O acordo envolveria a Indústria Nucleares do Brasil (INB). Procurada, a INB informou “não ter conhecimento de qualquer negociação”. Ressalte-se que, no tabuleiro dos interesses geoeconômicos e diplomáticos, o avanço dos russos representa o deslocamento da posição da francesa Areva, que sempre foi vista como potencial alma gêmea do INB no projeto em questão. Trata-se de um troca-troca que não conta com a simpatia dos militares. A abertura a forasteiros de um setor tão estratégico como este continua sendo considerada uma ameaça a  soberania nacional. Mas, diante das circunstâncias, a escolha da Areva seria dos males o menor. A França é vista como um parceiro bem mais estável e confiável do ponto de vista político e institucional. Isso para não falar das perigosas relações da Rosatom. A estatal russa, por exemplo, foi responsável pela construção da primeira usina nuclear iraniana. Segundo uma alta fonte do Ministério de Minas e Energia, a Rosatom acena com um investimento da ordem de US$ 1 bilhão. Nesse valor estaria embutido o “prêmio de controle” pela primazia no fornecimento de equipamentos – a transferência de tecnologia seria vinculada a contratos com fabricantes russos – e, principalmente, na venda do urânio enriquecido brasileiro no mercado internacional. A empresa enxerga o Brasil como cabeça de ponte para a América Latina e a africa. A estatal russa pegaria carona nas boas relações diplomáticas entre o governo Dilma Rousseff e os países destas duas regiões. No momento, há dez projetos para a instalação de usinas nucleares em nações latinoamericanas e africanas. A exportação das pastilhas de urânio funcionaria também como um hedge ao atual congelamento do programa nuclear brasileiro e consequentemente da construção de novas geradoras.

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