Biosev é um saleiro nas finanças da Louis Dreyfus - Relatório Reservado

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Biosev é um saleiro nas finanças da Louis Dreyfus

  • 27/02/2013
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A Biosev, braço sucroalcooleiro da Louis Dreyfus no Brasil, vive realidades opostas. De um lado, prepara-se para uma ousada oferta de ações, na qual pretende arrecadar mais de R$ 700 milhões; do outro, enfrenta uma situação financeira marcada por prejuízos, uma dívida crescente e o sucessivo aumento dos custos operacionais. Este contraste atingiu um momento emblemático na última quinta-feira. Segundo fontes próximas a  empresa, no mesmo em dia em que o prospecto da emissão de títulos chegava a  CVM, os diretores da Louis Dreyfus se reuniam mais uma vez para discutir medidas capazes de equacionar as dificuldades financeiras da Biosev. O valor que a Biosev pretende captar em Bolsa resolve apenas parte dos problemas. De acordo com informações filtradas junto a  própria companhia, a dívida líquida, que começou o ano em torno de R$ 4,6 bilhões, já estaria perto dos R$ 5,2 bilhões, duas vezes e meia o patrimônio. Segundo as mesmas fontes, os franceses estariam estimando um prejuízo médio mensal superior a R$ 70 milhões no último trimestre da safra 2012/2013. Nos nove primeiros meses deste ciclo, a perda acumulada chega a R$ 434 milhões, alta de 31% em relação a igual período na safra passada. A Biosev, ressalte-se, é controlada por um gigante mundial do agronegócio. A Louis Dreyfus fatura por ano mais de US$ 60 bilhões. De fato, escassez de recursos nunca foi o problema do grupo sucroalcooleiro. No entanto, os próprios dirigentes da companhia já se perguntam até quando os franceses vão investir em um negócio que acumula contínuos e sucessivos prejuízos. Um dos maiores desafios, por exemplo, é conter a alta dos custos operacionais. Nos três primeiros trimestres da atual safra, as despesas cresceram 13% em relação ao mesmo período do ciclo anterior. Diante do hercúleo desafio de promover uma emissão de ações e atrair o interesse de investidores nestas circunstâncias, os franceses vêm tentando ao menos oferecer aos investidores um choque de expectativas e a promessa de dias melhores. Um exemplo foi a recente mudança na diretoria da Biosev: há pouco mais de um mês, Pablo Francisco Gimenez Machado, que ocupava a vice-presidência e era visto pelo mercado como um dos principais colaboradores do CEO, Christophe Akli, deixou a empresa. Segundo fontes ligadas a  companhia, outras mudanças vão ocorrer em breve. Um dos nomes na corda bamba seria o vice-presidente operacional, Evandro Pause. Procurada, a Louis Dreyfus não se pronunciou por estar em período de silêncio.

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