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Acervo RR
O Carlyle não está para brincadeira. O fundo norteamericano ensaia mais uma grande tacada no Brasil. Depois de investir cerca de R$ 750 milhões na compra da Ri Happy e da PBKids e criar a maior varejista de brinquedos do país, o private equity está acelerando os preparativos para o IPO do grupo. A operação se dará por meio da oferta de ações da Ri Happy, holding na qual a PBKids foi pendurada. Não obstante as condições adversas dos mercados financeiros, o Carlyle pretende realizar o IPO no segundo semestre deste ano. Segundo fontes ligadas a gestora de recursos, a ideia é ofertar até 30% do capital. Atualmente, o private equity detém 85% da empresa. O restante das ações pertence ao antigo controlador, Ricardo Sayon. Apesar da entressafra nas operações de abertura de capital, o Carlyle enxerga na Ri Happy uma série de atrativos capazes de fisgar até mesmo os investidores mais ressabiados. A operação coincide com um momento de consolidação do crescimento do varejo de brinquedos. No ano passado, mesmo com o PIB do tamanho de um soldadinho de chumbo, as vendas de brinquedos subiram 15%. Nos últimos seis anos, o mercado praticamente dobrou de tamanho. A Ri Happy, com um faturamento anual em torno de R$ 1,2 bilhão, responde por mais de um quarto do setor. O Carlyle, ressalte-se, veste a sua própria camisa. Na condição de varejista, pouco importa a cor do gato, ou seja, a origem dos brinquedos e das empresas fabricantes. Para os norte-americanos, tanto faz se os chineses aumentarem as vendas para o Brasil ou se a indústria nacional conseguir equilibrar o jogo. O que o fundo quer é produto para colocar na sua prateleira. Nessa matemática, o melhor dos mundos é o meio termo. Ao mesmo tempo em que os asiáticos invadem o mercado brasileiro, o Carlyle torce também a favor dos fabricantes nacionais, que negociam com o governo medidas de estímulo a importação de matérias-primas e componentes. Esta decisão poderá elevar o índice de produção local, aumentar a competitividade das empresas nacionais e, em última linha, favorecer a formação dos preços ao consumidor. O Carlyle reserva outras iscas para os investidores. Até 2014, a Ri Happy investirá cerca de R$ 200 milhões na expansão de sua rede. O projeto prevê a duplicação do número de lojas, hoje em torno de 180. E, não obstante a imparcialidade do fundo na briga entre Brasil e China, como não se render aos brinquedos asiáticos? O Carlyle pretende fechar parcerias com distribuidores chineses para aumentar o portfólio da Ri Happy. Com estas medidas, a meta é atingir um faturamento de R$ 2 bilhões no ano que vem. Procurado, o Carlyle informou que “não comenta rumores de mercado”.
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