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Acervo RR
Luiza Helena Trajano não suporta mais assistir ao sorriso amarelo de Silvio Santos na TV. Acha que ele está rindo dos seus dissabores. Mais de um ano após a aquisição, o Magazine Luiza está penando para digerir as Lojas do Baú. Por si só, o impacto contábil já dá a dimensão do problema. Os gastos referentes ao processo de incorporação do Baú, bem acima do esperado, foram determinantes para a forte queda de 83% do lucro da rede varejista no terceiro trimestre. Entre outros problemas, a empresa de Luiza Helena foi obrigada a gastar alguns milhões de reais na uniformização dos sistemas das duas redes e nos ajustes na estrutura logística do Baú. Dentro do Magazine Luiza, o que se diz é que a antiga rede varejista de Silvio Santos mais parecia um secos e molhados da década de 1950, por conta dos sistemas de contabilidade e controle de estoques, considerados arcaicos pela trupe de executivos de Luiza Helena. A aquisição também vem custando ao Magazine Luiza um desgaste no relacionamento com os fornecedores. Por conta do perfil popular do Baú, somado a queda na oferta de crédito ao longo de 2012 e, consequentemente, a redução das margens, o grupo tem adotado uma política de negociação de preços extremamente dura com os fabricantes de eletroeletrônicos. Em alguns casos, chegou a reduzir, ou até cortar, encomendas já programadas. A vendetta da indústria veio justamente pela joia da coroa de Luiza Helena Trajano. Os fornecedores têm sido menos flexíveis nas negociações comerciais com o próprio Magazine Luiza. Segundo o RR apurou, uma grande fabricante de TVs chegou a ameaçar suspender parte de uma entrega diante da tentativa da empresa de barganhar 5% no preço dos equipamentos depois que o valor já havia sido acertado. A rede varejista teve de recuar. Neste caso, o que é um dos maiores ativos do Magazine Luiza se torna também seu algoz. Se, por um lado, seu vasto portfólio lhe dá poder de fogo na negociação com a indústria, por outro, impõe uma amarra. Ao contrário de uma rede menor, focada em produtos mais populares, como é o caso do Baú, uma varejista de grande porte não pode operar com estoques reduzidos e, muito menos, conviver com o risco de desabastecimento de produtos. E dizer que um dia o Baú já foi considerado fonte de felicidade. Procurada, o Magazine Luiza informou que tanto a incorporação quanto a uniformização das lojas foram impactadas não somente pelas lojas do Baú, mas também pelas 150 unidades da rede Maia, no Nordeste. Sobre a dificuldade de relacionamento com fornecedores, a empresa nega.
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