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Acervo RR
Não é nem o caso de dizer que a Coteminas está sentindo falta de José Alencar, afinal, quilometragem é o que não falta a Josué Gomes da Silva, há quase 18 anos no comando da empresa. Mas, diante das circunstâncias, um conselho ou, como nos velhos tempos, uma furiosa reprimenda do patriarca talvez fizessem bem a companhia e, especialmente, ao próprio herdeiro. A estratégia de diversificação dos negócios da Coteminas – uma aposta pessoal de Josué – está em xeque e vem sendo questionada pela própria família. As farpas são direcionadas a operação no varejo. As redes MMartan e Artex não estariam justificando os investimentos feitos pelo grupo. Esta última tem como atenuante o fato de ainda estar engatinhando – a maior parte das lojas foi aberta neste ano. Mas o caso da MMartan é considerado delicado. Mesmo com a redução das margens de lucro, o máximo que a subsidiária conseguiu entre janeiro e setembro foi empatar com a receita do mesmo período no ano passado. De acordo com informações filtradas junto a Coteminas, a MMartan tem convivido ainda com problemas logísticos e de gestão. No primeiro semestre, por exemplo, atrasos nos pedidos a fornecedores teriam afetado a recomposição dos estoques e provocado desabastecimento das lojas. Talvez nem a pequena União dos Cometas, em Ubá, a primeira loja de tecidos comandada por José Alencar, tenha enfrentado dificuldades similares. No caso da MMartan, teriam ocorrido ainda equívocos na composição do portfólio da rede, que precisaram ser corrigidos a s pressas. Josué Gomes da Silva tem inegáveis méritos. Sob sua gestão, a Coteminas alçou um novo patamar, sobretudo após a associação com a norte-americana Springs. Só que, neste momento, a pressão sobre o empresário tende a crescer. A expansão da bandeira MMartan não tem revertido em aumento da receita. Com as inaugurações feitas no quarto trimestre e as já previstas para os primeiros meses de 2013, a cobrança por resultados promete ser ruidosa. Segundo fontes ligadas a Coteminas, entre os herdeiros de José Alencar há quem defenda uma freada dos investimentos no varejo, com a suspensão de futuras inaugurações e até mesmo o fechamento das lojas menos rentáveis. Para piorar, a situação do grupo como um todo não ajuda. A Coteminas vem operando sucessivamente no vermelho. Entre janeiro e setembro, a empresa até conseguiu reduzir o prejuízo em 40% na comparação com o mesmo período em 2011. Ainda assim, desde o início do ano passado, o grupo acumula perdas da ordem de R$ 440 milhões. Procurada pelo RR, a Coteminas negou que exista pressão dos acionistas por redução dos investimentos no varejo e que tenha ocorrido desabastecimento de lojas por falta de estoques.
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