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Acervo RR
A operação de venda da Golden Cross tem novo protagonista. Um fundo de private equity do Bank of America Merrill Lynch (BofA) também está interessado na compra de parte ou da totalidade das ações da operadora de planos de saúde. Os norte-americanos chegam com sede ao pote, provavelmente estimulados pela recente negociação da Amil para a United Health e pela manifesta intenção dos conterrâneos da Kohlberg Kravis Roberts (KKR) em adquirir a Golden Cross. Procurada pelo RR, a empresa informou que “não comenta especulações de mercado”. Antes de qualquer passo adiante, recomenda-se ao BofA e ao KKR bater na porta da compatriota Cigna e ouvir algumas histórias. Poucos conhecem tanto sobre a empresa brasileira e seus controladores, a família Afonso, quanto a segura norte-americana. No fim da década de 1990, após uma conturbada associação e um árduo processo de reestruturação, a Cigna devolveu a Golden Cross a seus fundadores. Para o empresário Milton Afonso foi um negócio e tanto. Ele entregou um abacaxi cheio de espinhos e o recebeu de volta limpinho, descascado e cortado em rodelas, pronto para ser saboreado. Há quem jure que até hoje ele costuma dizer: “Ah, se não fosse aquele pessoal da Cigna…” Os norte-americanos injetaram recursos na empresa, asfaltaram buracos financeiros, renegociaram dívidas e, no fim da história, voltaram para a casa tendo que engolir um write off superior a US$ 400 milhões. Além de olhar para o didático passado, os dois private equities também terão de se debruçar com uma lupa sobre o presente da Golden Cross. A empresa hoje não é nem sombra daquela que um dia foi referência em planos de saúde no Brasil. Na época em que se associou a Cigna, seu dote também foi disputado por Sul América e Generalli. Nos últimos anos, no entanto, a companhia passou por um processo de encolhimento, que vai desde a notória deterioração de seu brand, vis-a vis seus maiores competidores, até a performance financeira. No ano passado, a Golden Cross teve um faturamento de R$ 1,6 bilhão. Apenas para citar dois de seus concorrentes, só a Unimed- Rio teve uma receita de R$ 2,8 bilhões, e a Amil fechou o ano com R$ 9 bilhões.
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