Buscar
Acervo RR
O pretensioso projeto do indonésio Sukanto Tanoto de montar um grande projeto agroindustrial na Bahia, a partir do plantio de eucalipto e da produção de celulose, já teve raízes bem mais fincadas. O alardeado interesse da Sateri Holdings – que reúne os negócios de Tanoto – de buscar um sócio para a Bahia Specialty Cellulose (BSC) não revela sequer um quinto da missa. De acordo com fontes ligadas a própria BSC, esta é apenas uma e, neste momento, a menos provável das hipóteses sobre a mesa. A Sateri estaria disposta a vender o controle da subsidiária e deixar o Brasil. Neste caso, a operação envolveria um acordo com o novo controlador da BSC que garantisse ao grupo o fornecimento cativo de celulose por um longo prazo para suas fábricas de papel na asia. Desde que comprou os ativos florestais e industriais da Copener e da antiga Klabin Bacell, há quase dez anos, a Sateri já teria desembolsado mais de US$ 1,5 bilhão na empresa. Ampliou consideravelmente a área de plantio de eucalipto e aumentou a capacidade instalada de 120 mil para quase 500 mil toneladas anuais. Ou seja: fez da Bahia um grande tabuleiro de celulose para abastecer suas fábricas. Até aí, a operação tem as bênçãos de todos os santos – e dos asiáticos também. É vista como altamente estratégica. No entanto, como business per si, a BSC tem alimentado uma crescente insatisfação na Sateri. Sukanto Tanoto – que parou de estudar aos 17 anos para ajudar no sustento da família e amealhou uma fortuna estimada em US$ 15 bilhões – é daqueles empresários que acompanham com lupa cada casa decimal dos resultados de suas companhias e centraliza, com mãos de ferro, todas as decisões estratégicas. E alguns dos números recentes da BSC não são dos mais alvissareiros. No ano passado, os custos operacionais da empresa cresceram de maneira considerável – a subsidiária teria sido responsável por quase 40% do aumento das despesas de toda a Sateri. Ainda em 2011, a Sateri foi obrigada a lançar em balanço uma perda de US$ 8 milhões devido a reavaliação dos ativos florestais no Brasil. Os asiáticos enfrentam ainda problemas institucionais no país. Nos últimos meses, a BSC teria feito mais de 400 demissões, o que despertou a ira de autoridades políticas baianas, especialmente na região de Camaçari, e das lideranças sindicais. O RR entrou em contato com a BSC, mas não obteve retorno.
Todos os direitos reservados 1966-2026.