GM carrega as marcas de uma direção desgovernada - Relatório Reservado

Acervo RR

GM carrega as marcas de uma direção desgovernada

  • 19/10/2012
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A presidente da General Motors no Brasil, Grace Lieblein, recebeu uma herança de fel. Tem dedicado boa parte de seu tempo a  missão de remover os estilhaços institucionais deixados por sua antecessora, a também norte-americana Denise Johnson. Em sua curtíssima passagem de sete meses no comando da GM no país, Denise teria criado uma ambiência de antipatia, maus tratos e truculência. Desde então, a montadora estaria sob permanente estado de fricção com parte de sua comunidade corporativa – de autoridades de governo a líderes sindicais, passando pela própria rede de revendedores. Grace Lieblein vem tentando desarmas as bombas, uma a uma. Um dos casos mais complexos diz respeito a  tensa convivência com o governador Tarso Genro e com a Prefeitura de Gravataí. A empresa não teria cumprido a promessa de aportar mais de R$ 2 bilhões em sua fábrica no município gaúcho entre 2010 e 2012. Os atrasos e cortes de investimento começaram justamente na gestão de Denise Johnson. Para piorar, ela praticamente cortou os canais de comunicação entre a companhia e as autoridades locais. Grace vem trabalhando para limar estas arestas, mas existe uma forte disposição da prefeitura do município gaúcho e do estado em rever benefícios fiscais concedidos a  GM, por conta dos investimentos prometidos e ainda nãocumpridos. Se a executiva conseguir arrancar os recursos da matriz, já vai ajudar muito. Há quem diga que Denise Johnson teria apenas cumprido o que lhe foi pedido pela matriz, instituindo uma feitoria na subsidiária brasileira. O fato é que ela parece ter errado na dose. Embora já tenha saído do cargo há mais de um ano, os efeitos colaterais de sua gestão persistem também nas relações entre a GM e o Sindicato dos Metalúrgicos da região de São José dos Campos. Durante o mandato de Denise, o diálogo com a montadora foi praticamente zero. No mesmo período, surgiram os primeiros sinais sobre a possibilidade de a empresa encerrar suas atividades em São José dos Campos. Desde então, a companhia e os sindicalistas vivem a s turras. O acordo alinhavado recentemente entre os funcionários e a GM, que previa um reajuste salarial da ordem de 7%, estaria na corda bamba. Entre os sindicalistas, há uma mobilização para que os empregados da montadora voltem atrás e recusem a proposta. O motivo são os riscos de demissão. A GM não teria dado garantias de preservação dos mais de sete mil empregos. Há cerca de três semanas, em uma das tantas rodadas de conversações, os sindicalistas teriam mencionado que a GM estava experimentando um pouco do próprio veneno, citando a intransigência da ex-presidente da empresa nas negociações salariais. A espinhosa agenda de Grace Lieblein inclui ainda uma temporada de afagos na rede revendedora. Adivinhem a razão? No ano passado, Denise Johnson jogou o carro para cima das concessionárias. Apertou as taxas de comissão e estipulou metas draconianas de vendas. Grace tem sido obrigada a fazer o caminho contrário para evitar deserções. Segundo informações filtradas junto a  própria GM, duas grandes revendas da empresa, com presença em vários estados, teriam proposta para virar casaca e vestir a camisa de montadoras concorrentes. Será que alguém no mercado ainda se pergunta por que Denise Johnson ficou apenas sete meses no cargo? Procurada pelo RR, a GM informou que “não comenta especulações de mercado”.

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