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Acervo RR
O mais do que anunciado desmanche do Grupo Silvio Santos – leia-se a venda dos ativos industriais e imobiliários – está prestes a se consumar. Nas últimas semanas, as negociações para a transferência da fabricante de cosméticos Jequiti e do Hotel Jequitimar, em Santos, avançaram significativamente. A francesa Coty teria apresentado formalmente uma proposta pelo controle da empresa. Segundo uma fonte que participa das negociações, o valor gira em torno dos R$ 800 milhões, dote inferior a cifra inicialmente pedida pelo grupo – cerca de R$ 1 bilhão. Em relação ao Hotel Jequitimar, a lista de candidatos se afunilou. Estão no páreo o BHG, leia-se GP Investimentos, e um fundo de private equity norte-americano. Após fechar estas duas operações, os executivos de Silvio Santos deverão partir para a venda da Sisan Empreendimentos Imobiliários, na qual estão pendurados edifícios comerciais e um shopping center em São Paulo. A empresa fatura cerca de R$ 300 milhões por ano. A expectativa do grupo é arrecadar até R$ 500 milhões com a venda da Sisan. Procurada, a Jequiti negou a venda do controle. O Grupo Silvio Santos não se pronunciou sobre a possível negociação das demais empresas. Já o BHG disse “desconhecer a informação”. O Grupo Silvio Santos é um armário trancado a sete chaves e mais algumas trancas. Talvez nem mesmo o sorridente empresário saiba quantos esqueletos estão enterrados naquele baú, ou qual a dimensão do passivo, que mais parecem hieróglifos financeiros a desafiar os contadores. Diante de tais circunstâncias, Silvio estaria apelando ao velho adágio de “entregar os anéis para não perder os dedos”. A venda dos demais ativos seria uma forma de evitar uma transferência do SBT patrocinada pelo governo, leia-se uma venda quase forçada da emissora. Os pretendentes, como se sabe, desfilam no horário nobre. A lista de supostos interessados vai de Eike Batista a Rupert Murdoch, passando por Boni, BTG e, conforme já informou o RR, até Benjamin Steinbruch, só para citar os estelares. O último dos moicanos a acompanhar Silvio Santos é Guilherme Stoliar, o principal defensor da reestruturação do Grupo Silvio Santos. Stoliar é presidente do conglomerado, sobrinho de Silvio e hoje o grande homem de confiança do empresário. Do círculo de colaboradores históricos do apresentador, foi um dos raros nomes que passaram incólumes ao escândalo do PanAmericano. Com a venda dos negócios na área de cosméticos e no setor imobiliário, o grupo se concentrará no SBT e na TeleSena, espécie de irmã siamesa da emissora.
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