Mhag é uma mina cercada por uma jazida de problemas - Relatório Reservado

Acervo RR

Mhag é uma mina cercada por uma jazida de problemas

  • 4/10/2012
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A Mhag, que chegou a ser uma das empresas mais cobiçadas do segundo grupo da mineração, parece estar vivendo seu inferno astral. Desde a frustrada tentativa de venda para a All Ore, no ano passado, há mais cascalhos do que ferro no caminho da companhia potiguar. Os empresários Edson Duda e Pio Sacchi, que quase embolsaram US$ 245 milhões com a venda de 70% da Mhag, estariam em busca de um comprador para sua participação. Até agora, receberam muitas sondagens, mas nenhuma proposta firme. Ao mesmo tempo, a empresa estaria com dificuldades para cumprir seu plano de investimentos. A retomada da produção de minério de ferro em Jucurutu (RN), paralisada desde 2008, está prevista para 2014. No entanto, segundo informações filtradas junto a  própria Mhag, esse prazo deverá ser adiado para 2015. A lavra de problemas inclui ainda um contencioso com a própria All Ore. Para garantir exclusividade nas negociações, o grupo de origem alemã fez um empréstimo de aproximadamente US$ 14 milhões aos controladores da Mhag – este montante seria debitado do valor final de venda da empresa. A All Ore alega que o dinheiro teria de ser devolvido caso a transferência do controle não se consumasse. No entanto, os acionistas majoritários da Mhag entendem que nada devem, uma vez que os alemães desistiram da compra. O impasse foi parar na Justiça. Para enevoar ainda mais o cenário, a Mhag vive uma tensa relação com seu acionista minoritário, o Noble Group. Em 2007, a trading chinesa pagou cerca de US$ 60 milhões por 30% da empresa. Mais do que uma participação societária, comprou uma parcela cativa da produção de minério da companhia. Os controladores da Mhag tentam arrancar do Noble um aporte de capital, que ajudaria na aceleração dos investimentos da empresa. Os asiáticos, no entanto, tiram o corpo fora. Só querem saber da sua cota de minério no prazo acertado. Procurada pelo RR, a Mhag garantiu que segue “discutindo com o Noble Group alternativas para implementação do projeto”. Os controladores da empresa informaram ainda que “não há intenção de se desfazer do negócio, mas permanecem dispostos a ouvir interessados que possam agregar investimentos”. No que diz respeito ao contencioso com a All Ore, a Mhag esclarece que, “sentindo-se prejudicada, instaurou procedimento arbitral com o intuito de receber indenização pelos prejuízos advindos do descumprimento dos termos da oferta”.

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