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Acervo RR
Engana-se quem pensa que a decisão do governo de cancelar a construção de novas usinas nucleares engessou a movimentação das empresas internacionais no Brasil. Que o diga a Areva. O grupo vem mantendo uma intensa agenda de negociações que orbitam em torno do país. Traz junto a escolta do próprio governo francês. Segundo uma alta fonte do Ministério de Minas e Energia, emissários do novo presidente da Franca, François Hollande, já mantiveram contatos preliminares com Edison Lobão. Os interesses da Areva no Brasil não se limitam a construção de usinas atômicas – projeto, que, diante das circunstâncias, por ora está relegado a segundo plano. Os próximos passos dos franceses se darão em terrenos ainda mais delicados, movediços, que exigirão uma caminhada cuidadosa. De acordo com a mesma fonte, a Areva pretende entrar no processo de enriquecimento de urânio, a cargo da Marinha. O grupo acena com financiamento e, principalmente, transferência de tecnologia, que permitiria ao Brasil dominar todo o ciclo de produção do combustível nuclear. Esta é uma operação extremamente sensível, que envolve questões de segurança nacional e costuma provocar calafrios no alto-comando das Forças Armadas. No entanto, o que joga a favor da Areva é a manifesta intenção do governo brasileiro de se tornar um player internacional na venda de pastilhas de urânio, algo praticamente inexequível sem um dueto com um grande grupo estrangeiro. Neste caso, as negociações, aliás, podem envolver não apenas um, mas, sim, dois parceiros. A Areva sinalizou ao Ministério de Minas e Energia a disposição de arregimentar outra empresa para a empreitada. Houve conversas com a Siemens, que não passaram da antessala. A nova candidata a almagêmea dos franceses é a estatal russa Rosatom. As tratativas envolvem a criação da uma joint venture. A empresa atuaria em outros países, mas o foco seria mesmo o Brasil. Em contrapartida a primazia no acordo com a Marinha brasileira, a Areva poderia construir uma fábrica de equipamentos de controle e segurança de usinas atômicas. Seria uma proxy para atração de outras empresas e a montagem no país de um colar de indústrias fornecedoras de soluções para toda a cadeia de enriquecimento do urânio.
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