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Acervo RR
Há um fantasma nas TVs da Panasonic no Brasil: a própria Panasonic. Um dos gigantes da indústria global de eletroeletrônicos, a empresa está se tornando um eflúvio no país. A marca vem sofrendo um processo de fade out, desaparecendo pouco a pouco do imaginário do consumidor. Este diagnóstico é compartilhado pelos próprios executivos da companhia no Brasil. Na Panasonic, a percepção é que hoje seu índice de recall, notadamente no segmento de vídeo, é inferior ao de seus principais concorrentes. O esmaecimento do brand e o consequente esvaziamento da Panasonic no mercado brasileiro é resultado de uma série de problemas operacionais, que têm se acentuado nos últimos meses. Um dos principais é o desgaste no relacionamento com as principais redes de varejo. Na tentativa de conter as perdas de margem, a fabricante de eletroeletrônicos teria adotado uma política de preços muito pouco flexível, batendo de frente com os varejistas. Práticas como esta costumam provocar retaliações por parte dos distribuidores. Uma das mais imediatas é o deslocamento de produtos da empresa para locais de menor visibilidade dentro das lojas. Ao mesmo tempo, a Panasonic caiu no índex dos vendedores, importantes formadores de opinião junto ao consumidor, sobretudo nas classes B e C. A companhia japonesa teria identificado redes nas quais os atendentes teriam passado a indicar produtos de outras marcas aos clientes. Procurada, a empresa informou que, “apesar das condições econômicas desfavoráveis devido ao terremoto que atingiu o Japão, enchentes na Tailândia que afetaram as cadeias de suprimentos, crise financeira europeia, assim como a alta histórica do iene, está ampliando sua atuação no país”. Garantiu ainda que “mantém um bom relacionamento com a rede varejista”. A Panasonic Brasil vive o problema do cobertor curto. Se, de um lado, está construindo uma fábrica de refrigeradores em São Paulo, de outro, reduziu os investimentos em setores que sempre foram linha de frente da sua operação no país, notadamente áudio e vídeo. Nos últimos dois anos, a companhia fez cortes nas verbas de marketing e seguiu um ritmo de lançamentos abaixo da concorrência. Hoje, tem um portfólio de televisores bastante enxuto se comparado ao de seus principais competidores. A redução de investimentos na área de áudio e vídeo está indissociavelmente vinculada aos problemas financeiros da matriz. No último ano fiscal, encerrado em março, a Panasonic amargou o maior prejuízo da sua história: quase US$ 10 bilhões. Uma parte expressiva destas perdas se deveu ao processo de incorporação da Sanyo, que se tornou um sugadouro de recursos do grupo.
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