Lojas Marisa vira todas as suas roupas pelo avesso - Relatório Reservado

Acervo RR

Lojas Marisa vira todas as suas roupas pelo avesso

  • 18/05/2012
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Entre os sócios e executivos da Lojas Marisa, há uma perplexidade quase coletiva com a postura de Marcio Goldfarb, presidente executivo e do Conselho de Administração da rede varejista. A aparência serena, quase impassível, de Goldfarb contrasta com as duras decisões que ele está prestes a tomar. O empresário prepara uma profunda reestruturação, que deverá incluir medidas-padrão, mas, nem por isso, menos dolorosas. O kit juntaria cortes de investimento na expansão da rede, revisão das verbas de marketing e drástica redução dos custos operacionais. É com esta vitamina com sabor de óleo de fígado de bacalhau que Goldfarb vai tentar estancar a queda dos resultados. A intenção de seguir a média dos últimos dois anos e abrir quase 60 lojas foi para o fundo da gaveta. No melhor do melhor dos cenários, o número de inaugurações neste ano ficará em torno da metade. Os investimentos em publicidade deverão ser cortados em até 30%. A medida teria como objetivo compensar os gastos emergenciais em marketing que a Marisa foi obrigada a fazer no fim do ano passado. A empresa errou na mão na formação de seus estoques para as vendas de Natal. Em cima do laço, viuse forçada a produzir uma campanha de mídia em caráter excepcional para dar suporte a s promoções feitas em dezembro com a finalidade de desovar o excesso de mercadorias. O RR entrou em contato com a Marisa, mas a empresa não se manifestou até o encerramento desta edição. A brusca freada no ritmo de expansão também tem um quê de mea culpa. Mais uma vez, tudo indica que os Goldfarb foram mais otimistas do que a realidade permitia. A questão principal não é nem propriamente o número recente de inaugurações, mas os critérios geoeconômicos adotados pela companhia. Houve casos de sobreposição de lojas em áreas próximas. Resultado: quase 50 estabelecimentos estariam registrando. desde o fim do ano passado, vendas abaixo das metas. Além do ritmo mais conservador de inaugurações, a Lojas Marisa prepara uma temporada de queima dos custos operacionais. De acordo com informações filtradas junto a  própria empresa, a meta de cortes giraria em torno dos 20%. A rede varejista tenta compensar a queda das suas margens operacionais. Nos primeiros três meses do ano, a empresa teve lucro de apenas R$ 300 mil. Em 2011, ao longo do mesmo período, os ganhos bateram nos R$ 36 milhões. A declinante performance tem se refletido nas cotações da Marisa em Bolsa. Desde o início do mês, seu valor de mercado caiu quase 13%.

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