Itaú dança com a YPF o dolorido tango do calote - Relatório Reservado

Acervo RR

Itaú dança com a YPF o dolorido tango do calote

  • 23/04/2012
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O Itaú e a Argentina não nasceram um para o outro. Como se não bastasse a frustrante performance da subsidiária portenha do banco, a reestatização da YPF deverá atingir o balanço do banco como um estilhaço. Segundo uma fonte umbilicalmente ligada a  instituição, os Setúbal têm discutido internamente o provisionamento do empréstimo de US$ 280 milhões concedido em 2011 ao Grupo Petersen, controlado pelo controverso empresário argentino Enrique Eskenazi. O RR apurou que a operação já é tratada dentro do banco como de difícil reversão. A questão agora é decidir se o provisionamento cobrirá apenas parte ou a totalidade do empréstimo. Os recursos se destinaram ao financiamento da compra de uma fatia adicional de 10% da YPF, que permitiu ao conglomerado atingir uma participação de 25% do capital. Pelo acordo com o Itaú, Eskenazi se comprometeu a pagar o crédito com dividendos da própria YPF. No entanto, segundo o RR apurou, o Itaú tem informações seguras de que o empresário, conhecido pela histórica relação com o casal “K”, articula com a presidente Cristina Kirchner a transferência da sua dívida para o governo argentino, em uma espécie de “estatização do passivo”. De acordo com a mesma fonte, os Setúbal dão como certo o repasse do financiamento. Afinal, não foi para prejudicar o empresariado nacional que Cristina Kirchner expropriou o controle da YFP. Para o Itaú, trata-se do pior dos mundos. O governo argentino é, reconhecidamente, um péssimo pagador, o que justifica o pessimismo dos Setúbal e o provisionamento do crédito em balanço. Procurado pelo RR, o Itaú não quis se pronunciar sobre o assunto. O imbróglio em torno da YPF é mais um capítulo da tortuosa trajetória do banco dos engenheiros em território portenho. A operação do Itaú Argentina jamais decolou. No ano passado, a subsidiária teve um lucro equivalente a R$ 25,6 milhões. Este valor correspondeu a um retorno sobre o patrimônio de 8,5%. Guardadas as devidas proporções, tratase de um número decepcionante se comparado ao desempenho do banco no Brasil. Ressalte-se que 2011 foi um ano positivamente fora da curva. Os Setúbal estão acostumados a resultados bem mais modestos na Argentina. O lucro somado de 2009 e 2010 não passou de R$ 3,7 milhões. Se serve de consolo para os Setúbal, o Itaú não deverá dançar este tango sozinho. Outros grandes bancos internacionais estão prestes a cair na milonga da YPF. Credit Suisse, Citibank, BNP Paribas e Standard Bank também financiaram a venda das ações da petroleira para Enrique Eskenazi. Isso para não falar da própria Repsol, que emprestou US$ 625 milhões ao empresário argentino.

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