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Acervo RR
Talvez fosse melhor a Anvisa cancelar de vez a proposta de proibir os aditivos utilizados na fabricação dos cigarros. Ao menos, economizaria tempo, recursos públicos e evitaria a exibição de uma peça no melhor estilo do teatro burlesco. A julgar pelos seus procedimentos, o processo não passará de uma encenação. Tudo leva a crer que a Anvisa já tomou sua decisão antes mesmo do cumprimento de todos os ritos necessários. Na versão atual da proposta, apresentada na reunião da Diretoria Colegiada em 14 de fevereiro, a Agência simplesmente ignorou o abaixo- assinado com mais de 350 mil signatários contrários a medida. As cerca de 220 mil cartas enviadas por pessoas e entidades de diversos setores da cadeia produtiva, também com manifestações desfavoráveis a iniciativa, receberam o mesmo destino. Pelo jeito, os olhos da Anvisa só enxergam o que lhes interessa. A Anvisa entende que o uso destes aditivos tem como objetivo atrair crianças e jovens para o consumo de cigarro. Já a indústria do tabaco afirma que eles são absolutamente necessários para fabricar os cigarros atualmente comercializados no país e que não conferem sabor outro que não de tabaco. O fato é que não existe um só estudo científico no Brasil que comprove as alegações da Anvisa, o que torna a proposta da agência ainda mais manqué. Nesta esfumaçada queda de braço, quem agradece é o mercado clandestino, que joga com regras próprias e continuará oferecendo cigarros com aditivos caso a proposta da Agência seja aprovada. Os produtos clandestinos já dominam cerca de 30% das vendas no Brasil, impondo ao governo uma perda tributária da ordem de R$ 2,8 bilhões por ano.
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