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Acervo RR
O presidente da Mercedes- Benz no Brasil, Ja¼rgen Ziegler, está passando pelo que talvez seja o trecho mais esburacado de sua gestão, iniciada em setembro de 2009. Aumentou bastante a cobrança dos alemães por conta do decepcionante desempenho da montadora na venda de caminhões no mercado brasileiro. O problema se acentuou nos últimos meses. No acumulado de 2011, a empresa ainda conseguiu fechar com uma pequena alta de 4% em comparação com o ano anterior. No entanto, em novembro e dezembro, a montadora amargou uma queda das vendas de 10% em relação aos dois últimos meses de 2010. A marcha a ré prosseguiu em janeiro. O número de caminhões comercializados pela Mercedes caiu 6,2% – no mês, o setor cresceu 6,3%. No segmento de veículos médios, por exemplo, o tombo foi grande. O recuo das vendas foi de 24%. De acordo com informações filtradas junto a própria empresa, fevereiro deve seguir na mesma toada. A pressão sobre Ziegler é potencializada pela entrada em operação da fábrica de caminhões de Juiz de Fora, em funcionamento desde janeiro. O investimento de R$ 400 milhões se tornou um ponto de interrogação para o grupo e um fator de conflito entre a matriz e a subsidiária brasileira. Justo no momento em que tem registrado perda de mercado, a empresa aumentou sua capacidade de produção em 50 mil caminhões ao ano. Os alemães estariam jogando a responsabilidade pelo aparente erro de cálculo nas costas da diretoria da Mercedes no Brasil, que teria superdimensionado o crescimento do setor nos próximos anos. Como resultado, a planta industrial de Juiz de Fora já iniciou suas atividades sob a sombra de uma navalha. O projeto inicial da Mercedes prevê a fabricação de 15 mil caminhões neste ano. No entanto, de acordo com uma fonte ligada a companhia, já se discute internamente a possibilidade de reduzir este número a menos de 10 mil unidades. Procurada pelo RR, a Mercedes-Benz informou que a queda das vendas no início do ano já estava prevista, uma vez que, no fim de 2011, houve uma grande procura pelas últimas unidades com motorização Euro 3 – a comercialização deste modelo será suspensa em todo o Brasil a partir deste mês. A montadora garantiu também que elevará gradativamente a produção em Juiz de Fora.
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