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Acervo RR
Como diria Freud, a s vezes um charuto é apenas um charuto. No entanto, a recente alteração de patente no comando da Mexichem Brasil, controladora da Amanco, vai além de uma mera mudança de nomenclatura. A posse de Mauricio Harger com o título de vicepresidente da empresa e a extinção do cargo de presidente, até então ocupado por Marise Barroso, devem ser interpretadas como um sinal de que o poder na subsidiária brasileira seguirá novas regras. De acordo com uma fonte do próprio grupo, a matriz decidiu intervir na gestão da companhia. Harger vai fazer jus ao que o seu cartão de visitas sugere e será uma espécie de nº 2 da Mexichem Brasil, respondendo diretamente ao board. Não obstante o aumento de market share nos últimos dois anos, os mexicanos estariam insatisfeitos com os rumos da Amanco. O principal motivo de descontentamento é o timing dos investimentos e de novas aquisições no país, o que teria, inclusive, provocado o sucessivo desgaste na relação entre o comando da Mexichem e Marise Barroso até o seu afastamento. Procurada pelo RR, a Mexichem esclareceu que “Mauricio Harger está no comando com as mesmas atribuições da presidente anterior”. Informou ainda que “foi criada uma espécie de cargo de transição para que a holding acompanhe o executivo durante o ano até que ele seja confirmado no cargo”. Segundo a fonte do RR, os mexicanos vão cuidar diretamente do plano de investimentos no país, em torno de R$ 120 milhões. A Mexichem considera que houve equívocos na gestão do orçamento no ano passado. A filial brasileira desembolsou, por exemplo, R$ 40 milhões para expandir a produção de tubos destinados a área de saneamento com base em projeções que se mostraram otimistas em excesso. As vendas neste segmento caíram mais de 20% na comparação com 2010 – ver RR edição nº 4.294. A empresa teria dado como favas contadas contratos de fornecimento para obras públicas que não se consumaram. Segundo a mesma fonte, outra razão para a intervenção da Mexichem na gestão da subsidiária brasileira é a insatisfação dos mexicanos com o ritmo de aquisições. A empresa teria demorado mais do que o esperado para concluir o processo de incorporação da Plastubos e da Bidim. Por esta razão, teria perdido a possibilidade de aquisição da catarinense Tubozan, que acabou se unindo a Vipal para a criação da BR Plásticos.
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