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Acervo RR
A investida de Luis Carlos Mendonça de Barros no setor automotivo começou por estradas tortuosas. A fabricante de caminhões chinesa Foton Aumark, representada no Brasil pelo ex-ministro, chegou ao país com o baú carregado de problemas. Entraves de ordem logística e burocrática estão atrapalhando a estratégia de lançamento da montadora no Brasil. A subsidiária, controlada e presidida por Mendonça de Barros, ainda não teria conseguido internalizar e despachar o número de caminhões previsto para os quatro primeiros meses de venda – são três modelos: dois veículos semileves, de 3,5 toneladas, e dois leves, entre 6,5 e 8,5 toneladas. A mesma limitação se estende a importação de peças, cujo estoque estaria longe do volume considerado ideal para o início das vendas. Segundo uma fonte que participou da montagem da operação, há atrasos também na implantação da rede de revenda, que, a princípio, será composta por três concessionárias próprias. Ouvido pelo RR, Ricardo Mendonça de Barros, um dos acionistas e diretor comercial da Foton Aumark no Brasil, confirma que a empresa teve, no ano passado, problemas relacionados a homologação dos veículos. Estas dificuldades levaram a companhia a postergar o começo das importações. Mas o empresário garantiu que não há atrasos no novo cronograma e todos os 100 veículos previstos para o início das vendas já estão no Brasil – o mesmo ocorrendo com o respectivo volume de peças. Segundo ele, todos os caminhões foram comprados antes da virada do novo IPI. Com relação a rede de revenda, Ricardo afirmou que duas lojas (Anchieta e Dutra) estão dentro do prazo e serão inauguradas em até 90 dias. A terceira delas, no entanto, localizada em Jundiaí, está atrasada em relação ao cronograma por conta da demora na liberação de certificados de emissões. Vencida esta primeira etapa, Luis Carlos Mendonça de Barros ainda terá pela frente um desafio mais complexo, que diz respeito ao próprio futuro da Foton Aumark no Brasil. O tucano de alta plumagem agora em pele de empresário da indústria automobilística tem mantido contatos regulares com o governo de Dilma Rousseff com o objetivo de negociar uma flexibilização do novo modelo tributário do setor. “Mendonção” uniu-se a chinesa JAC Motors, a sul-coreana SsangYong e a outras montadoras internacionais. Também reivindica que a carga tributária imposta a turma dos “semfábrica” seja aumentada gradativamente como forma de viabilizar a fase inicial de operação dessas empresas no país. Assim como suas congêneres, Mendonça de Barros usa como gazua a promessa de construção de uma fábrica no Brasil. O kitpressão é o mesmo das demais montadoras: uma cifra expressiva (cerca de US$ 500 milhões) e uma condicionalidade: a de que a planta industrial só sai com o afrouxamento das novas regras tributárias.
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