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Acervo RR
Belo Monte virou a cidade do rock. As mais diferentes tribos têm armado seu palco e feito barulho em torno da construção da hidrelétrica. Em resposta a s diversas manifestações contrárias ao projeto, que incluem o vídeo gravado por diversos artistas e a midiática visita de James Cameron ao Pará, agora é o governo que vai dar seu show. O Planalto prepara uma tour de force com um duplo objetivo: melhorar a imagem do empreendimento junto a comunidade internacional e, por consequência, estimular a presença de investidores estrangeiros nas próximas licitações do setor. A própria Dilma Rousseff será a protagonista deste espetáculo. O plano de concessões do setor elétrico passará a ser tema obrigatório na agenda e nos discursos de Dilma em suas viagens internacionais. A presidente vai se tornar também uma espécie de guia turístico de luxo de Belo Monte. Chefes de Estado em viagem ao Brasil serão convidados a visitar as obras de Belo Monte em companhia da própria Dilma. O envolvimento direto de Dilma e a adoção de medidas inusitadas, como o quase sequestro de governantes estrangeiros em defesa de uma causa que não lhes pertence, dá um ar mais burlesco ao projeto de Belo Monte. Além disso, as medidas engendradas pelo governo trazem embutido o risco de acirrar ainda mais os ânimos e transformar o palco desta cidade hidrelétrica do rock em um tatame. A eventual ida de chefes de Estado ao local, que certamente terá destaque em toda a mídia, será um prato cheio para manifestações de toda a ordem.
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